Lula pressionou Ibama por petróleo, mas barrou dragagem apoiada pelo próprio órgão
A descoberta de petróleo pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas expôs um contraste dentro da política do governo Lula para a Amazônia.
Depois de pressionar publicamente o Ibama para liberar a pesquisa de petróleo na Margem Equatorial, o presidente barrou uma dragagem emergencial do Rio Tapajós que tinha o apoio de áreas técnicas do próprio governo — inclusive do Ibama.
Em fevereiro de 2025, quando a Petrobras ainda aguardava autorização para perfurar o bloco FZA-M-59, Lula reclamou do “lenga-lenga” no licenciamento e chegou a dizer que o Ibama parecia atuar “contra o governo”.
O órgão concedeu a licença em outubro daquele ano, após o cumprimento das exigências ambientais.
Em agosto deste ano, a Petrobras anunciou ter encontrado hidrocarbonetos no poço Morpho, a cerca de 500 quilômetros da foz do Amazonas.
No Tapajós, o movimento foi inverso.
Em julho, diante da previsão de uma seca severa provocada pelo El Niño, auxiliares do governo defenderam uma dragagem emergencial para preservar a navegação entre Miritituba e Santarém.
Lula desautorizou a intervenção depois de uma reunião com lideranças indígenas.
A decisão contrariou ministérios envolvidos, DNIT, Ibama e Advocacia-Geral da União.
A versão emergencial do projeto havia sido reduzida para atingir cerca de quatro quilômetros do rio, menos de 2% de sua extensão navegável, com retirada de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos em sete pontos.
O serviço levaria de 90 a 100 dias e seria integralmente bancado por empresas privadas, por meio de um acordo de cooperação entre o DNIT e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior.
Ao governo caberia fiscalizar a execução.
Continua após a publicidade O tema também envolve uma disputa ambiental e jurídica.
Lideranças indígenas e o Ministério Público Federal defendem licenciamento e consulta prévia às comunidades.
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