Helio de La Peña conta bastidores do Casseta & Planeta: 'Teve um desgaste'
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O humorista Helio de La Peña afirma que "houve um desgaste" entre o grupo do Casseta & Planeta e que isso ajudou a afastar os integrantes ao longo do tempo.
Em entrevista ao Alt Tabet , do Canal UOL, ele contou que a empresa e a marca ainda existem, mas que a convivência hoje é esporádica.
Acho que o desgaste foi uma das razões para a gente ir se afastando. Agora, tem um aspecto desse desgaste que é muito natural. O programa teve 18 anos. E a nossa relação não começou ali, não começou em 92. Em 88, a gente começou a ser redator do TV Pirata. Mas o jornalzinho, o Casseta Popular, a origem da parada toda, começou em 1978. Então, é muito tempo de atividade em grupo, criação coletiva. Acho que é natural que chegue um momento em que você fale: "Caramba, mas quem sou eu exatamente? O que me interessa? O que não interessa aos outros? O que posso fazer? Não preciso depender da opinião do resto do grupo?". Helio de La Peña
Segundo ele, os remanescentes mantêm a empresa por causa da marca e de despesas administrativas. No dia a dia, diz ter mais contato com Beto Silva, Hubert e Cláudio Manoel, enquanto vê Reinaldo Gomes com pouca frequência e afirma não ter mantido contato recente com Marcelo Madureira.
Para o humorista, juntar os "cassetas" hoje para produzir algo seria complicado porque o grupo não tem mais a mesma "liga" do começo. Ele associa a mudança ao tempo de estrada e às transformações pessoais que vieram com a vida fora do trabalho.
Eu acho muito complicado você hoje juntar com a intenção de fazer alguma coisa, porque você vai, naturalmente, fazer uma comparação que, no momento de hoje, vai sair perdendo. A gente não tem mais aquela liga, não tem a vibe que havia quando a gente começou. Helio de La Peña
Ele relata que os conflitos internos não se davam por temas de piadas, mas por diferenças de personalidade e pelo cansaço de discutir caminhos de trabalho. "A porradaria comia, mas era sempre em função da piada", afirma, descrevendo uma rotina de reunião pela manhã, divisão de ideias em grupos e redação final feita por parte do time.
Helio também aponta a morte de Bussunda, em 2006, como um marco que mexeu com a dinâmica do grupo, inclusive por reduzir a quantidade de integrantes a um número par e tornar as decisões mais difíceis.
Apesar da dificuldade de uma volta, ele diz que o grupo tem interesse em registrar a trajetória em um documentário. A ideia, porém, depende de acesso a materiais que, segundo ele, são de propriedade da Globo, e que o projeto não avançou até agora por falta de interesse da emissora.
O que nos interessa é fazer um documentário, que haja um documentário para registrar o que foi a nossa trajetória. Para que ficasse bacana, a gente tinha que ter acesso ao material que a gente produziu, que é de propriedade da Globo. E a Globo até hoje não demonstrou muito interesse em levar essa ideia adiante. Helio de La Peña
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