Calleri volta à Bombonera 11 anos após encantar Maradona e ofuscar Tévez
Onze anos depois de deixar o Boca Juniors, Jonathan Calleri está de volta à Bombonera. Desta vez, porém, estará do outro lado: será o capitão do São Paulo, justamente contra o técnico que o lançou às graças da torcida. A bola rola nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), pela ida das quartas de final da Copa Sul-Americana.
A relação entre Calleri e o Boca começou de forma bem menos especial. Em 2014, aos 20 anos, o atacante chegou a Buenos Aires como uma aposta, sem garantia de espaço no elenco e com a possibilidade de ser emprestado.
O cenário mudou rapidamente. Calleri ainda pegou o fim do ciclo de Carlos Bianchi, que deixou o comando do Boca em agosto de 2014.
Com a chegada de Rodolfo Arruabarrena, ganhou espaço e virou titular. Já era, em pouco tempo, um dos favoritos do torcedor. No meio de 2015, Calleri estava consolidado no time que liderava o Campeonato Argentino. Foi naquele período que aconteceu a noite que ajudou a eternizar seu nome entre os torcedores do Boca.
Em 18 de julho de 2015, o Boca enfrentou o Quilmes. A Bombonera estava lotada para receber Carlos Tévez, que voltava ao clube depois de 11 anos.
Mesmo quando todos os holofotes apontavam para a lenda argentina , o jovem Calleri encontrou uma maneira de dividir o protagonismo.
No segundo tempo, em um contra-ataque, recebeu a bola de frente para o goleiro Walter Benítez. Tévez aparecia pelo meio, e Calleri tentou tocar para o novo companheiro — claro que tentou. A bola, porém, bateu em um defensor e voltou para o atacante.
Sem confiança para finalizar com a perna esquerda, Calleri improvisou. De letra — ou melhor, 'rabona'.
O argentinou encobriu o goleiro, marcou um gol antológico na Bombonera lotada e fechou o placar na vitória por 2 a 1 no retorno do ídolo.
O gol ganhou ainda mais repercussão porque Diego Maradona acompanhava a partida de um dos camarotes da Bombonera . As reações da lenda argentina repercutiram nas redes sociais.
A combinação era difícil de superar: Tévez de volta, Bombonera lotada e Maradona no camarote. Todo mundo estava na Bombonera para ver o camisa 10 voltar — e acabaram também aplaudindo o camisa 12.
Naquele momento, o atacante já não era mais a aposta que chegara ao clube no ano anterior. Tinha virado titular, protagonista e um jogador identificado com a torcida.
Não porque fosse torcedor do Boca — Calleri é fã do All Boys — , mas pelo que construiu em campo.
Arruabarrena retornou ao clube em junho. Mais de uma década depois, os dois se reencontram no mesmo estádio, agora em lados opostos.
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