Grupo usou nome falso e tentou apagar rastros após Carbono Oculto, diz MP
Um grupo suspeito de lavar dinheiro do setor de combustíveis usou nomes falsos, segundo o Ministério Público, para administrar uma das maiores distribuidoras do país e, após uma fase anterior da Operação Carbono Oculto , tentou apagar os rastros dos vínculos com as demais empresas investigadas.
A nova fase da operação , deflagrada nesta quinta-feira, tem entre seus alvos o grupo que, segundo o Ministério Público, controlava a distribuidora Terrana. A empresa foi comprada no fim de 2024 por meio de duas holdings criadas poucos meses antes, com capital de apenas R$ 1.000 cada.
Uma delas, a Branson Holdings, recebeu um empréstimo de R$ 99,9 milhões do Banco Genial e comprou a empresa que controlava a Terrana. A outra, a Berna Holdings, recebeu R$ 60,5 milhões e adquiriu o fundo Derby 44, atual Wels, que concentrava imóveis ligados ao grupo.
Para o Ministério Público, quem estava por trás da compra era o grupo ligado a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, que transmitia ordens aos gestores da Terrana utilizando a identificação "Leo". Hoje, ele está foragido.
Depois da primeira fase da Carbono Oculto, em agosto de 2025, os executivos passaram a discutir como separar a imagem da distribuidora das demais empresas investigadas. Um deles compartilhou a decisão sobre a operação e iniciou uma estratégia para desvincular a marca. Em setembro, outro integrante apresentou um plano para "segregar" a Terrana do grupo.
As conversas eram cercadas de cautela, com o uso de mensagens temporárias e a exclusão de diálogos.
A tentativa de esconder os vínculos incluiu até uma mudança de nome. Uma das executivas, Ioná Patrícia de Lima Andrade, passou a utilizar o nome Camila Junqueira depois que uma reportagem revelou sua atuação na distribuidora.
O meio de financiamento da compra da Terrana chamou a atenção dos investigadores. O fundo Radford, administrado pelo Banco Genial, tinha como única cotista a Usina Itajobi, ligada ao grupo de Mohamad e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.
O Radford aplicou o dinheiro em títulos emitidos pelo Genial. Esses títulos foram usados como lastro para os empréstimos concedidos à Branson e à Berna, as duas holdings utilizadas nas aquisições.
O MP descreve isso como uma operação circular, uma vez que o dinheiro que sustentava os empréstimos vinha do próprio grupo interessado no negócio. Ou seja, os compradores teriam usado os próprios recursos para financiar as aquisições sem aparecer formalmente.
A estrutura envolvia ainda o Derby 44, atual Wels, e o fundo imobiliário Los Angeles 01, atual Lucerna. O Derby era o principal cotista do Los Angeles, que concentrava imóveis anteriormente pertencentes a uma empresa da mulher de Mohamad.
Segundo a Justiça, os próprios imóveis que seriam comprados com o empréstimo concedido à Berna foram apresentados como garantia da operação.
Toda a arquitetura desse tipo de negócio era montada por um núcleo jurídico entre os investigados. O advogado Rogério Garcia Peres, apontado como responsável pela organização das empresas e dos fundos, movimentou cerca de R$ 500 milhões de sua conta pessoal para a Entre Payments.
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