Flávio minimiza tentativa de golpe no JN e ignora provas usadas na condenção de Bolsonaro
A sabatina de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Jornal Nacional teve como um dos momentos mais tensos o debate sobre a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O senador classificou o processo como uma “farsa”, mas suas respostas deixaram de fora elementos centrais apontados pelas investigações e considerados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento.
Questionado sobre a condenação do pai a 27 anos e 3 meses de prisão , Flávio afirmou que houve uma perseguição política e atacou os ministros da Corte responsáveis pelo julgamento.
“É muito importante sua pergunta para que quem está nos assistindo possa saber a grande farsa que foi armada para tirar o presidente Bolsonaro da vida pública”, declarou.
O senador também tentou afastar Jair Bolsonaro dos atos de 8 de janeiro de 2023, afirmando que o ex-presidente estava nos Estados Unidos e que não poderia responder pela depredação das sedes dos Três Poderes.
“Eu para eu quebrar esse copo, tenho que pegar ele na mão, tenho que tacar ele no chão e aí você pode me acusar de ter quebrado o copo.
Depredação de um patrimônio público, a pessoa tem que estar fisicamente no mesmo local para poder cometer.
Ele foi imputado esse crime, é uma depredação de patrimônio público por wi-fi, é o golpe da Disney que eles estavam nos Estados Unidos, então, claramente, isso tudo foi uma farsa que foi amada.” A argumentação, porém, não responde ao ponto central do processo: a condenação de Bolsonaro não se baseou apenas na presença física nos ataques de Brasília, mas na acusação de articulação para impedir a posse do presidente eleito.
Investigação apontou atuação de militares e documentos no Planalto Durante a entrevista, os apresentadores lembraram que as investigações reuniram depoimentos de integrantes do próprio governo Bolsonaro e das Forças Armadas.
Um dos casos citados foi o do general Mário Fernandes , apontado pela investigação como autor de um plano que previa ações contra autoridades, incluindo o presidente eleito, o vice-presidente e um ministro do STF.
Segundo a investigação, o arquivo com o plano foi encontrado no Palácio do Planalto e rastreado até a estrutura ligada ao governo.
Questionado se o planejamento de assassinatos por integrantes do governo configuraria crime contra a democracia, Flávio respondeu: “Olha, Traile, você está falando de pessoas que acusam, que fizeram essa montagem, esse contexto mentiroso para condenar a ser preso, se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele.” A resposta transferiu a responsabilidade para o militar, mas não explicou por que um integrante de alta patente do governo teria elaborado um documento desse tipo dentro da estrutura presidencial.
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