Justiça proíbe grupo de buscar suposta 'cidade perdida' de Ratanabá em terra indígena
Ilustração de 'Ratanabá' divulgada pela Idakila Pesquisas.
Divulgação.
A Idakila Pesquisas, associação com sede em Corguinho (MS) e liderada pelo empresário e ufólogo Urandir Fernandes, foi proibida pela Justiça Federal de Mato Grosso de explorar a Terra Indígena Kayabi, em Apiacás (MT), onde o grupo buscava supostos vestígios da cidade perdida de “Ratanabá”.
Em caso de descumprimento, a multa foi fixada em R$ 50 mil por flagrante.
A decisão é do juiz federal Marcel Queiroz Linhares, da 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop (MT), e atende a uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou violações ao território tradicional indígena. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎Ratanabá é uma suposta “cidade perdida” na Amazônia que ganhou força nas redes sociais, mas não há evidências científicas de que ela tenha existido.
Segundo o arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor da USP e pesquisador da arqueologia amazônica há mais de 30 anos, a história não tem fundamento nas pesquisas científicas recentes.
Procurada pela reportagem, a Idakila Pesquisas informou que não foi citada nem intimada nos autos da ação judicial e, por isso, não tem o que se manifestar sobre o mérito da decisão.
Leia a nota na íntegra no fim desta reportagem 🔎🔎 Fundada em 1999 por Urandir Fernandes, a Idakila integra o chamado “ecossistema Dakila”, que reúne iniciativas e pesquisas relacionadas a temas como vida extraterrestre, teoria da Terra convexa e a suposta cidade de Ratanabá, apresentada pelo grupo como “a primeira capital do mundo”.
Conforme material de divulgação do Ecossistema Dakila Pesquisas, “Ratanabá” seria o “Império Central dos Muril”, descrito pelo grupo como a “primeira civilização que chegou à Terra há 600 milhões de anos”.
Não há nenhuma comprovação científica de sua existência.
Grupo afirma pesquisar vida extraterrestre e a suposta Ratanabá Segundo os autos do processo, desde maio de 2022, integrantes do grupo realizaram sobrevoos e expedições na Terra Indígena Kayabi sem autorização da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e das comunidades locais.
Para o MPF, as atividades violaram direitos territoriais e culturais dos povos Munduruku, Kayabi e Apiaká.
Nos últimos quatro anos, conforme os documentos citados na decisão, pesquisadores ligados ao grupo realizaram incursões terrestres e aquáticas na região, inclusive com a instalação de câmeras, em busca de supostos registros relacionados à “cidade perdida”.
Câmeras teriam registrado rotina de comunidades indígenas Conforme o processo, equipamentos foram encontrados por lideranças Munduruku nas proximidades da aldeia Boca do Rio das Tropas, no Pará.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mato Grosso do Sul.