Produzir etanol de milho é mais vantajoso no Brasil do que nos EUA
Produzir etanol de milho é mais vantajoso no Brasil do que nos Estados Unidos.
É o que mostra uma análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que comparou margens estimadas das usinas brasileiras e norte-americanas entre janeiro de 2020 e junho de 2026.
A vantagem se refere ao retorno bruto obtido com a venda de etanol, DDG (grãos secos de destilaria) e óleo de milho após o desconto do custo do cereal.
Segundo os pesquisadores, a oferta de milho a preços competitivos e a maior participação dos coprodutos na receita das usinas brasileiras ajudam a explicar a diferença.
A análise foi elaborada por Lucilio Rogerio Aparecido Alves, professor da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo), e pesquisador responsável pelas equipes de Grãos, Fibras e Amidos do Cepea; Lucas Moraes, graduando em Economia e Matemática na Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos; e André Luis Ramos Sanches, pesquisador da área de milho do Cepea.
A comparação se tornou possível com o avanço da produção brasileira de etanol de milho.
Os Estados Unidos consolidaram sua indústria a partir da abundância do cereal na região conhecida como Corn Belt.
No Brasil, a expansão da atividade no Centro-Oeste, com o uso do mesmo processo de moagem adotado pelas usinas norte-americanas, permitiu a comparação.
Os pesquisadores estimaram quanto as usinas dos dois países arrecadaram com a venda de etanol, DDG (grãos secos de destilaria, na tradução para o português) e óleo de milho depois de descontar o custo do cereal utilizado na produção.
No cálculo do Cepea, o retorno bruto médio sobre o custo do milho foi de 72% no Brasil entre janeiro de 2020 e junho de 2026.
Isso significa que o valor obtido com etanol, DDG e óleo de milho, depois de recuperado o gasto com o grão, correspondeu a 72% desse custo.
Nos Estados Unidos, o retorno médio foi de 44,5%.
A margem bruta também foi maior no Brasil.
Depois do desconto do milho, permaneceu, em média, 40,7% da receita combinada com etanol e coprodutos.
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