Pinturas rupestres de dois mil anos podem ter sido feitas com sangue humano
Não é por acaso que os nossos antepassados faziam pinturas rupestres em cavernas: a cobertura era um meios de proteção do vento e da chuva.
Mas há um sítio arqueológico que sempre confundiu pesquisadores.
A Paisagem Cultural da Arte Rupestre de Zuojiang Huashan, no sudoeste da China, é um ambiente a céu aberto.
Há décadas, arqueólogos se perguntam como essa galeria de arte resistiu à intensa ação do tempo e das intempéries.
Agora, em um estudo publicado no Journal of Archaeological Science , eles encontraram o possível motivo.
As pinturas de Zuojiang Huashan, tudo indica, foram feitas com a ajuda de sangue originário do parto humano.
Segundo a equipe, as proteínas do sangue teriam ajudado a fixar as partículas de pigmento na rocha, protegendo-as da chuva e do calor durante 2.000 anos.
Se confirmado, o estudo seria o primeiro a demonstrar a presença de sangue humano de parto em uma arte rupestre antiga.
Continua após a publicidade Evolução dos humanos acelerou nos últimos 10 mil anos Por trás dos artistas O povo Luoyue, uma sociedade de matriarcas caçadoras-coletoras, é o responsável pelas pinturas da Paisagem Cultural de Arte Rupestre de Zuojiang Huashan.
Elas habitavam o sul da China quando criaram suas obras, ao longo de um período de quase 700 anos, entre o século 5 a.C. e o século 2 d.C.
As imagens criadas estão distribuídas em um trecho de 260 quilômetros de paredões rochosos à beira do rio, em uma região que sofre com monções frequentes.
Ainda assim, a arte permanece notoriamente intacta – o que contrapõe outras cavernas rupestres criadas séculos mais tarde nas demais partes do país.
Continua após a publicidade Nessas pinturas, podemos observar atividades do cotidiano: homens nus andando, uma figura usando um cocar de penas, mulheres grávidas e tambores e sinos em rituais ancestrais.
Sabemos que, pelo menos em parte, estas pinturas eram feitas com o auxílio de argilas, minerais, carvão e ossos carbonizados.
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