Já vimos esse filme, e o final piora
Boletim meteorológico costuma ser lido com algum ceticismo, mas certas previsões dispensam o guarda-chuva e recomendam logo o abrigo.
É o caso do diagnóstico traçado pelo economista Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro, ex-secretário de Política Econômica e um dos principais nomes da equipe econômica da gestão anterior.
Em análise publicada na rede X e repercutida pelo jornalista Vandré Kramer na Gazeta do Povo, Sachsida descreve o que um quarto mandato de Lula reservaria ao país: uma crise fiscal profunda, com consequências “econômicas, sociais e institucionais difíceis de reverter”.
O roteiro do temporal tem três frentes já bem conhecidas: um novo governo petista tenderia a gastar mais, hostilizar o mercado e contar com a blindagem do Supremo Tribunal Federal.
A corte, adverte o economista, continuaria invadindo matérias fora de sua competência e recorrendo a “inquéritos e procedimentos controversos contra quem ousasse questioná-lo”.
Toga como para-raios, gastança como chuva de granizo.
Os números confirmam que o céu já está carregado.
Em junho, segundo o Banco Central, a dívida pública alcançou 81,9% do PIB, o maior nível desde abril de 2021, quando o país ainda operava sob as medidas emergenciais da Covid.
São 10,3 pontos percentuais acima do patamar herdado por Lula em janeiro de 2023.
O Boletim Focus estima que o endividamento chegue a 100% do PIB em 2034, e a Instituição Fiscal Independente, do Senado, antecipa a marca para 2031.
Até a projeção mais otimista do mercado, a do BTG Pactual, aponta 86,4% ao fim de 2027, enquanto a XP prevê crescimento na casa de 1%, o mais fraco desde a crise sanitária.
Com dívida em trajetória explosiva, juros nas alturas e expectativas em deterioração contínua, Sachsida vê o Brasil desembarcando em 2028 no olho do furacão.
É nessa hora, alerta ele, que brotam as soluções heterodoxas: “intervenção crescente na economia, tentativas de controlar o câmbio, restrições ao fluxo de capitais”.
O receituário clássico de quem combate incêndio com gasolina e depois culpa o vento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.