Vitória de Flávio Bolsonaro pode levar real a novo salto, mas fôlego depende do Congresso, diz Commerzbank
O Commerzbank avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25), tende a provocar nova valorização do real , ao menos no curto prazo.
O analista Norman Liebke afirma que o resultado deve ser acompanhado de perto pelo mercado, já que representaria uma mudança em relação às políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .
“A duração dessa euforia com o real vai depender, em última análise e em grande medida, de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro vai anunciar e, sobretudo, do que ele realmente será capaz de implementar”, diz Liebke.
Real já reagiu ao primeiro turno Após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro teve 47% dos votos e Lula, 45%, o dólar recuou de cerca de R$ 5,20 para perto de R$ 5,00, uma valorização de cerca de 4% do real.
Segundo o banco, a moeda brasileira perdeu parte desse ganho desde então, mas segue bem abaixo do nível anterior à votação.
As pesquisas mais recentes mostram disputa apertada.
Uma delas, feita entre 16 e 18 de outubro, indica empate técnico.
Outras, realizadas até o dia 16, ainda apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro.
O Commerzbank cita a aprovação, no Senado, da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas como um possível trunfo de Lula, mas diz que o episódio não parece ter alterado de forma significativa o quadro geral.
Agenda fiscal é o principal fator Para o banco, o fôlego do real dependerá de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro, se eleito, vai anunciar e, sobretudo, de quais conseguir vai aprovar.
Ele prometeu maior consolidação fiscal e política econômica mais pró-mercado para conter uma dívida bruta próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com o déficit fiscal perto de 10% do PIB e despesas elevadas com juros, o Commerzbank ressalta que reduzir o rombo rapidamente será um desafio.
O Congresso é outro limitador.
O PL ampliou sua bancada em ambas as casas: no Senado, passou de 18,5% para 35,8% das cadeiras; na Câmara, de 19,3% para 23,6%.
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