Violência levou Vera cedo demais, mas não apaga a mulher que ela foi
Antes de ser lembrada pela violência que interrompeu prematuramente sua vida, Vera Lúcia Rossatte era conhecida pelo cuidado com quem a rodeava.
Aos 59 anos, ela deixou dois filhos, um neto e uma história construída ao lado da família, com muito trabalho e uma disposição para ajudar quem estivesse por perto.
Para amigos e vizinhos do Zé Pereira, onde ela morou por mais de duas décadas e construiu parte da vida, Vera já fazia parte da rotina do bairro.
Da loja de aviamentos que tocava, fez um lugar onde cabiam conversas e onde amizades se formaram.
Frank Rossatte, o filho mais velho, ainda tenta lidar com a perda da mãe e, por vezes, ainda se refere a ela no presente.
Para ele, a essência de dona Vera está nos pequenos detalhes .
Da roupa dobrada do jeito que ela gostava, do potinho de feijão guardado com cuidado, dos horários cumpridos à risca e, principalmente, da disposição que tinha para cuidar dos filhos e do neto.
“Ela sempre foi uma mãe muito carinhosa, uma avó muito carinhosa.
Muito dedicada a nós, pelos dois filhos que ela tem”, conta.
Frank lembra que a vida da mãe foi construída com muito trabalho.
Vera saiu cedo de casa, deixou o filho aos cuidados dos avós por um período e foi para Naviraí em busca de oportunidades.
“Depois ela veio para Campo Grande e trabalhou no Banco Real, que depois virou o Santander”, lembra.
Quando conseguiu comprar o próprio apartamento, trouxe o filho ainda criança, que até então vivia com os avós no interior.
Frank lembra que a infância sempre foi cercada pelo carinho da mãe.
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