Cartão Jaé: a empresa que deve no Rio e manda em SP
A CBD Bilhete Digital opera o Jaé, sistema de bilhetagem eletrônica dos transportes municipais do Rio de Janeiro.
Ganhou a concessão em 2022, com uma oferta de R$ 110 milhões de outorga.
A Autopass, empresa que opera o cartão TOP na Grande São Paulo, disputou a mesma licitação e ficou em quarto lugar.
Em fevereiro de 2025, a Prefeitura do Rio autorizou a transferência do controle indireto da CBD para o grupo da Autopass.
A quarta colocada passou a comandar a vencedora.
Pelo contrato, a outorga seria paga em duas parcelas.
A primeira atrasou e foi renegociada em outubro de 2024.
A segunda venceria, pelo calendário original, em agosto de 2025.
E o balanço da CBD encerrado em dezembro de 2025 revela que a Autopass está devendo R$ 56 milhões para a Prefeitura.
O mesmo balanço mostra a situação da empresa no primeiro ano sob o novo controle.
A CBD teve prejuízo de R$ 116,8 milhões e terminou 2025 com patrimônio líquido negativo de R$ 126 milhões.
Tem R$ 403 milhões em dívidas de curto prazo e apenas R$ 198 milhões a receber no mesmo período.
As despesas gerais e administrativas, por sua vez, eram de R$ 7,6 milhões em 2024 e chegaram a R$ 88,8 milhões no ano seguinte.
Foi essa empresa que, em julho de 2026, ofereceu as receitas do Jaé (o dinheiro que a população paga como passagens) como garantia de uma dívida.
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