EUA e Cuba trocam acusações na ONU antes de votação sobre sanções
Os Estados Unidos e Cuba trocaram acusações nas Nações Unidas nesta segunda-feira (19), depois que diplomatas americanos organizaram um evento com a presença de dissidentes cubanos, às vésperas da votação anual na ONU — prevista para a próxima semana — de uma resolução que pede o fim do embargo dos EUA à ilha.
O embaixador de Cuba na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, e outros representantes gritaram com o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, no momento em que ele deixava o evento na sede da ONU.
O encontro abordou alegações de violações dos direitos humanos pelo governo cubano.
As tensões entre as duas nações estão aumentando antes da votação da resolução — que não tem caráter vinculativo, mas que tem sido aprovada na Assembleia Geral da ONU por ampla margem todos os anos desde 1992 — e em meio a uma pressão crescente decorrente de um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA a Cuba.
Leia Mais Tesouro dos EUA impõe novas sanções relacionadas a Cuba China critica postura dos EUA sobre Irã e Cuba na Assembleia Geral da ONU EUA impõem novas sanções a Cuba “Espero que vocês… tenham notado os chamados diplomatas da embaixada cubana — que permitimos que estejam aqui em virtude de um tratado — assediando, gritando, intimidando e filmando não apenas nossos ex-prisioneiros políticos recém-libertados, mas também outras pessoas”, disse Waltz a repórteres em Nova York.
“Ano após ano, o regime cubano vem à Assembleia Geral e propaga uma mentira por meio de sua resolução anual… Eles usam uma desculpa atrás da outra para justificar sua opressão, para justificar a miséria do povo cubano; e o que estamos fazendo aqui, na missão dos EUA junto à ONU, é expor essas mentiras”, afirmou.
A votação deve ocorrer nos dias 27 e 28 de outubro, informaram autoridades.
Os EUA mantêm um embargo comercial a Cuba há mais de 60 anos.
A administração do presidente americano Donald Trump tem intensificado a pressão — tendo, inclusive, utilizado as forças armadas em janeiro na tentativa de remover o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
A votação na ONU pode ter peso político, mas apenas o Congresso dos EUA tem poder para suspender o embargo, que remonta à era da Guerra Fria.
Cuba atribui às sanções americanas a crise em que o país se encontra — a pior recessão econômica em décadas, marcada pela escassez de produtos básicos, colapso da infraestrutura e uma inflação instável.
“Os EUA agem como um infrator internacional, impondo uma punição coletiva ao povo de Cuba.
Eles infligem um sofrimento imenso a toda a população de uma nação pacífica”, afirmou Guzmán, o embaixador cubano, durante um encontro improvisado do lado de fora de uma reunião dos EUA com dissidentes.
No mês passado, na ONU, Trump declarou que Cuba era um Estado fracassado e que a liberdade chegaria à nação insular.
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