Na era dos minerais críticos, o maior risco está na jurisdição
A nova onda de nacionalismo de recursos está mudando a economia dos minerais críticos, como lítio, níquel e cobalto, que são hoje a espinha dorsal de baterias e de outras tecnologias da transição energética.
Mais do que o teor do minério ou a posição na curva de custo, o fator decisivo passou a ser o país em que o projeto está e o ambiente regulatório em torno dele.
Esse tema vem ganhando espaço em fóruns públicos e privados, dentro e fora do Brasil.
Em encontros recentes, em Washington e em Belo Horizonte, dedicados à cadeia global de baterias e aos minerais críticos, uma percepção se consolidou entre empresas, investidores e autoridades: em poucos segmentos a qualidade das instituições pesa tanto, hoje, quanto na mineração de minerais críticos.
A discussão deixou de ser apenas técnica para se tornar também institucional.
Os exemplos se multiplicam.
No Zimbábue, a suspensão imediata das exportações de lítio, incluindo cargas já em trânsito, alterou de forma abrupta a lógica de negócios de produtores e consumidores.
Na República Democrática do Congo, a combinação de proibição de exportações e cotas posteriores no cobalto afetou o abastecimento de um insumo essencial para a indústria.
Na Indonésia, mudanças sucessivas em regras para o níquel, com cortes significativos em cotas de produção, forçaram a revisão de planos de investimento.
No Chile, a redefinição do papel do Estado no lítio aumentou a percepção de risco regulatório mesmo em uma jurisdição historicamente vista como estável.
Leia Mais Enel SP pede à Aneel arquivamento de processo de caducidade Eneva vê interferência regulatória da ANP sobre acesso a terminais de GNL Opportunity e 4UM escolhem seus alvos para novas concessões de rodovias Em comum, esses episódios mostram que, em minerais críticos, o ativo de longo prazo deixou de ser apenas uma questão de geologia, engenharia ou eficiência operacional.
A política e a previsibilidade institucional tornaram-se componentes inseparáveis da equação.
Um projeto pode ser competitivo em custos, ter compradores garantidos e boa logística.
Se o país acumula episódios de mudanças repentinas de regras, restrições à exportação ou revisões retroativas de contratos, o desconto aplicado ao fluxo de caixa será permanente.
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