Laura Cardoso foi um exemplo de mulher e de artista, diz Fernanda Torres
Uma das atrizes que trabalhou com Laura Cardoso, morta aos 98 anos, no filme "Terra Estrangeira", Fernanda Torres lamentou a morte da colega de elenco na manhã desta terça-feira (18).
"Uma atriz imensa, inquieta, sempre", disse ela a este jornal.
"Soube agora.
A Laura é um século inteiro de teatro, TV, rádio e cinema.
Uma coisa impensável.
Fizemos juntas o 'Terra Estrangeira', embora não tenhamos atuado juntas no filme", afirmou ainda a atriz.
"O que guardo também dela é o humor maravilhoso e a falta de estrelismo.
Uma joia, uma pérola, um exemplo de mulher e de artista." No filme de 1995, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, Torres viveu a protagonista Alex, uma brasileira que mora em Portugal.
No país, ela vive um romance arrebatador e por vezes perigoso com um rapaz que acaba de chegar do Brasil, país que deixou após a morte da mãe, personagem de Cardoso.
Um dos filmes da retomada do cinema brasileiro, período de reconstrução do audiovisual do país na década de 1990, "Terra Estrangeira" recebeu diversos prêmios e ganhou prestígio internacional.
No Brasil, embolsou troféus da APCA, a Associação Paulista de Críticos de Arte, do Festival Sesc Melhores Filmes e do prêmio Guarani.
Dona de uma carreira de mais de oito décadas, Cardoso foi um dos principais nomes do teatro, da rádio e da televisão brasileiros, mas também acumulou papéis importantes nos cinemas.
Além de "Terra Estrangeira", viveu personagens nos longas "Primo Basílio", de 2007, "Através da Janela", de 2000, e "Quincas Borba", de 1988.
Seu último trabalho foi justamente num curta-metragem, "Dona Rosinha", em que viveu uma idosa que é abandonada pela própria filha num ponto de ônibus.
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