Em evento do MPT, família de Vanessa pede que mulheres "não se calem"
Emocionada após a homenagem prestada à filha, Vanessa Ricarte, durante o lançamento da Política Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a mãe da vítima de feminicídio, Madalena Ricarte, fez um apelo para que mulheres que sofrem violência não permaneçam em silêncio.
Durante o evento realizado pelo MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, Madalena destacou a importância de as vítimas compartilharem o que estão vivendo com pessoas de confiança, principalmente familiares e colegas de trabalho.
Para ela, falar sobre a situação pode ser fundamental para que a mulher receba ajuda antes que a violência chegue a consequências ainda mais graves.
A orientação também foi reforçada pelo irmão de Vanessa, Walker Ricarte, que defendeu uma rede de atenção formada por família, amigos, colegas e instituições.
Segundo ele, muitas vezes os sinais de violência passam despercebidos porque a vítima não consegue ou não se sente segura para falar sobre o que está acontecendo.
O lançamento da iniciativa passa a orientar a atuação institucional em todas as unidades do MPT (Ministério Público do Trabalho) no país.
Conduzido pelo procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, o evento reuniu membros do Ministério Público, representantes dos poderes Executivo e Legislativo, integrantes do sistema de Justiça e outras autoridades.
Para Walker, a iniciativa precisa ultrapassar as instituições e chegar às famílias e escolas, com foco na prevenção e na formação de uma sociedade baseada em respeito e valores.
“Eu acredito que sim, desde que haja uma força conjunta.
A coisa vai muito mais além do institucional, vai para dentro das casas, vai para dentro da escola.
Que sociedade estamos imersos hoje, que homens estamos criando na sociedade?”, questionou.
O irmão de Vanessa também destacou a importância de familiares e colegas perceberem sinais de violência e incentivarem mulheres em situação de risco a buscar ajuda.
“Se a mulher está em situação de vulnerabilidade, que ela está em situação de risco, que ela não se cale, que ela se encoraje de ir buscar apoio nos colegas, nos familiares.
É um pequeno gesto, mas que pode salvar a vida delas”, afirmou.
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