Análise: Eleições e agronegócio: mais do que acenos, o setor precisa de previsibilidade
Voltamos ao tema das eleições nesta coluna para analisar o resultado do primeiro turno, realizado no último domingo, 4 de outubro, e suas possíveis consequências para as políticas públicas voltadas ao agronegócio brasileiro.
Na leitura deste colunista, as urnas sinalizaram uma demanda por mudanças na condução das políticas públicas e por maior equilíbrio institucional.
É uma interpretação do resultado eleitoral, que comporta diferentes leituras e não dispensa a análise das propostas de quem disputará o segundo turno.
O calendário também trouxe uma coincidência relevante: no dia seguinte à votação, a Constituição Federal completou 38 anos de sua promulgação, em 5 de outubro de 1988.
A associação entre os dois acontecimentos merece atenção.
É a Constituição que estabelece os limites e as responsabilidades de quem governará ou representará a população a partir de 2027.
Independentemente do resultado das urnas, o respeito a essas regras e ao sistema de freios e contrapesos é fundamental para a estabilidade democrática e a previsibilidade das relações econômicas.
Por que isso importa ao agronegócio? O agronegócio depende de uma relação estreita entre crédito e produção.
Financiar o custeio, ampliar a capacidade produtiva e investir em infraestrutura exige recursos, planejamento e confiança nas regras que orientam os negócios.
A segurança jurídica tem, portanto, consequências concretas para o setor.
A incerteza sobre contratos, tributação e políticas públicas pode encarecer o financiamento, adiar investimentos e comprometer decisões que precisam ser tomadas com antecedência.
O Estado participa dessa equação ao formular políticas e estabelecer condições para as relações entre quem produz, compra, financia e comercializa os produtos agropecuários.
Como discutimos na coluna de 5 de setembro, políticas de Estado e de governo têm papéis distintos, mas ambas influenciam o ambiente de negócios.
Em uma atividade já exposta às oscilações de preços, ao clima e às mudanças no comércio internacional, a previsibilidade institucional ganha ainda mais importância.
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