Estrela mais rápida já registrada orbita buraco negro no centro da Via Láctea
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Cientistas detectaram a estrela mais rápida já conhecida, segundo estudo publicado na última quarta (19) na revista Nature . Ela gira em torno do buraco negro supermassivo Sagitário A*, na Via Láctea, e pode ser a chave para que se possa medir, pela primeira vez, a rotação dele.
Batizada de S301, a estrela tem mais massa que o Sol e também é bem mais brilhante que ele. Sua velocidade, enquanto orbita Sagitário A* —também chamado apenas de Sgr A*—, é estimada em até 90 milhões de quilômetros por hora. Isto é, 100 mil vezes mais rápido que um avião de carreira ou 8% da velocidade da luz.
Nenhuma outra estrela, em nossa galáxia ou fora dela, jamais foi registrada a essa velocidade.
A estrela percorre uma trajetória altamente elíptica ao redor de Sgr A* e leva 8,7 anos para completar uma órbita. Em sua maior aproximação do buraco negro, ela fica a uma distância orbital média que equivale a 11,5 vezes a distância da Terra até o Sol.
Buracos negros são objetos extraordinariamente densos, com uma gravidade tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar deles. O Sgr A* tem cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol e está localizado a 26 mil anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de quilômetros.
Embora o Sgr A* esteja em estado de quiescência, sua atração gravitacional é considerável, o que significa que poderia engolir estrelas ou outros materiais que se aproximassem demais dele. Já S301 deve continuar a salvo, segundo os pesquisadores.
"A orientação da órbita mudará, mas a estrela não corre o risco de ser engolida", disse o astrofísico Stefan Gillessen, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, um dos autores da nova pesquisa.
Não se conhece nenhuma outra estrela que orbite tão perto de Sgr A* quanto S301.
Gillessen afirmou que, ao que tudo indica, S301 originalmente fazia parte de um sistema de binário e estava gravitacionalmente ligada a uma estrela companheira. Mas, em algum momento, enquanto viajavam pelo espaço, as duas se aproximaram demais do buraco negro, e a interação gravitacional entre os três corpos que se seguiu causou estragos.
"Uma das estrelas é arremessada para fora do centro da Via Láctea em alta velocidade, chegando até mesmo a deixar a galáxia. A outra fica presa para sempre em uma órbita próxima ao buraco negro. Essa é S301", explicou o astrofísico.
Os pesquisadores observaram S301 por meio do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI), do Observatório Europeu do Sul, no Chile.
O VLTI combina a luz de quatro telescópios de oito metros para criar um telescópio virtual, cuja resolução espacial é 15 vezes superior à de um único telescópio de oito metros.
A influência contínua que Sgr A* exerce sobre S301 durante sua órbita pode permitir que os cientistas compreendam melhor o buraco negro, inclusive, possivelmente, medindo sua rotação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.