Maria Fernanda Cândido reencontra Celso Frateschi no teatro em peça de Ibsen
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A formação marxista levou o ator e diretor Celso Frateschi , de 74 anos, a refletir sobre a luta de classes ao longo das cinco décadas de carreira nos palcos. Em sua montagem mais recente, "Quando Despertarmos de Entre os Mortos", no entanto, o foco é o ser humano.
"Na minha opinião, a ação política mais importante agora é falar: estamos vivos e somos humanos", diz. "Vivemos um momento de muito revés. As pessoas estão entrando em comportamentos que precisam de uma lupa para vermos onde vai dar tudo isso."
O último texto escrito pelo dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906) foi escolhido por permitir uma espécie de diálogo com a atualidade ao mostrar que a vida acontece enquanto esperamos por ela.
Em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo , a peça mostra o reencontro do escultor Rubek (Frateschi) com sua antiga musa, Irene ( Maria Fernanda Cândido ). No centro da trama estão as escolhas feitas em nome da criação artística, com a tentativa do escultor de resgatar a própria história após o casamento infeliz com Maja (Maria Manoella).
A dramaturgia foi debatida no teatro Ágora, espaço cultural mantido por Frateschi e pela mulher, a arquiteta e cenógrafa Sylvia Moreira, a partir do desejo de apresentar uma obra alternativa à tendência atual das encenações documentais, muitas vezes faladas em primeira pessoa.
A opção foi pela retomada de características teatrais mais tradicionais, uma volta à ficção com cenário em três ambientes que acompanham o desenvolvimento da história —o solário de um hotel, um jardim e uma rampa que representa as montanhas nórdicas.
"Ibsen nos revela a nós mesmos, e isso se dá pela qualidade de seus textos, que expõem artisticamente as nossas mazelas humanas", diz o ator, que encena um texto do norueguês pela primeira vez, sob a direção de Elias Andreato.
O desejo declarado de Maria Fernanda Cândido de voltar a trabalhar com o fundador do Ágora foi também um fato importante. A beleza diáfana e a atuação delicada da atriz de 52 anos se encaixam no papel da musa que ressurge como um espectro para lembrar a vida desperdiçada em nome da arte.
Há 25 anos os dois contracenaram no espetáculo "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", uma adaptação de Maria Adelaide Amaral para o romance de José Saramago . A atriz, que vive na França com a família, quis retomar a parceria marcante e, ao mesmo tempo, matar a saudade de fazer teatro no Brasil.
"Somos provocados por esse texto sobre o ato de viver. Lembro sempre do Antônio Abujamra com a pergunta: o que é a vida? E isso a peça traz", diz.
Fora da ficção, o momento é de apreensão da classe artística com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na campanha para a Presidência e a ascensão da extrema-direita ao poder em outros países.
"Tivemos uma experiência assustadora no governo de direita aqui: o [Joseph] Goebbels falando em rede nacional.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.