O magistério com afeto: o legado do professor Edivaldo Boaventura
Iniciei na semana passada uma sequência de artigos até o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, para ressaltar o legado de mestres fundamentais para a história da educação na Bahia.
Este não é apenas um resgate histórico, mas uma verdadeira campanha.
Corremos um risco iminente: a escassez de professores para as próximas gerações, fruto do desestímulo e da falta de admiração dos jovens pela carreira do magistério.
Iniciamos essa proposta com o breve histórico de Eliana Kertész.
Dessa vez, grifo a importância do professor e advogado Edivaldo Machado Boaventura, de quem tive a imensa honra de ser aluno na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na disciplina de Direito Educacional, durante a década de 1990.Nascido em Feira de Santana, Edivaldo construiu uma trajetória pública e acadêmica irretocável.
Foi Secretário de Educação do Estado da Bahia, Professor Livre-Docente na UFBA, Presidente do Conselho Estadual de Educação e membro da Academia de Letras da Bahia.
Como gestor, tinha orgulho imenso de ter sido o criador da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), reunindo diversas faculdades de formação de professores espalhadas pelo estado, além de ter desempenhado um papel estratégico na fundação das demais universidades estaduais baianas (UEFS, UESB e UESC).
Sua influência estendeu-se também à comunicação, ocupando por décadas o cargo de Diretor-Geral do jornal A Tarde, o maior veículo do Norte e Nordeste.Na vida pessoal, pai de três filhos, sempre contava com ternura que tinha uma filha intelectual, um veterinário e um artista, fazendo questão de frisar, cheio de orgulho, que este último era o artista mais talentoso e bonito da Bahia.O professor Edivaldo era marcado por uma simplicidade cativante.
Inteligente, bem-humorado, contador de histórias e dono de uma formação acadêmica consistente com passagens por centros internacionais de ensino.
Suas aulas eram disputadas por todos os estudantes de Pedagogia da UFBA.
Em uma época com quase nenhuma oferta de turmas no período noturno, ele fazia questão de oferecer sua cátedra à noite.
Líamos seus inúmeros artigos e livros enquanto ele discorria, com enorme sabedoria, sobre a história e a estrutura da educação brasileira.
O mais encantador, porém, era a forma carinhosa, digna e respeitosa com que um dos nomes mais importantes da Bahia tratava seus estudantes.Na semana em que havia algum aniversariante na turma, o final da aula era sempre celebrado com o famoso bolo do Professor Edivaldo, providenciado por ele mesmo.
Em outro momento inesquecível, uma colega de turma engravidou; ele acompanhou cada passo da gestação e, no dia do nascimento, apareceu no hospital com flores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.