Grupo Toky, dona da Tok&Stok e da Mobly, tem prejuízo de R$ 232,7 milhões no 2T
O Grupo Toky ( TOKY3 ), holding que controla as varejistas de móveis e decoração Mobly e Tok&Stok, registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, aumentando o prejuízo de R$ 88,8 milhões apurado um ano antes.
No acumulado do primeiro semestre, o resultado negativo somou R$ 308,3 milhões.
O balanço reflete os primeiros meses da companhia sob recuperação judicial, processo que a própria administração credita como agravante das dificuldades operacionais do período.
Leia também Casas Bahia fala em recuperação extrajudicial ou judicial após prejuízo de R$ 10 bi A companhia começou em 2023 o que chamou de “plano de transformação” e vem implementando medidas operacionais e financeiras destinadas à melhoria de sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa Receita cai 37,3% A retração dos negócios foi generalizada.
O GMV (volume bruto de mercadorias) consolidado somou R$ 295,2 milhões no trimestre, queda de 31,9% em relação ao 2º trimestre de 2025, enquanto a receita operacional líquida caiu 37,3%, para R$ 207,1 milhões.
A diferença entre as duas quedas decorre do aumento nos cancelamentos de pedidos, que reduziu a taxa de conversão do GMV em receita reconhecida.
Praticamente todos os canais de venda recuaram: o site caiu 46,8%, o marketplace 40,9% e as lojas físicas 23,4% no consolidado (queda de 41,0% na Mobly e de 18,9% na Tok&Stok).
A administração atribui o desempenho a uma combinação de dois fatores: um cenário macroeconômico “severamente restritivo”, com juros elevados, alto endividamento das famílias e escassez de crédito pressionando o consumo de móveis e decoração; e rupturas de estoque provocadas pelo próprio pedido de recuperação judicial, que abalou a confiança de fornecedores e parceiros comerciais, interrompeu o abastecimento e prolongou os prazos de entrega.
A margem bruta consolidada ficou em 52,1%, retração de 1,6 ponto percentual, pressionada por descontos concedidos pela Mobly para tentar mitigar o impacto das rupturas de estoque nas vendas.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) do período foi negativo em R$ 156,2 milhões, e mesmo na visão ajustada — que exclui R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes — o indicador ficou negativo em R$ 7,6 milhões, com margem de -3,7% (ante +7,0% no 2T25).
O caixa do Grupo encerrou o trimestre em R$ 23,4 milhões, com liquidez total de R$ 92,9 milhões.
Doze lojas fechadas e reestruturação em curso Como parte do plano de reestruturação, a rede de lojas próprias do Grupo passou de 64 para 52 unidades entre dezembro de 2025 e junho de 2026, além da manutenção dos 5 centros de distribuição.
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