Pousou de emergência: como saber a hora certa de evacuar a aeronave?
Muita gente imagina que, diante de uma emergência, existe uma sequência de procedimentos pronta para cada situação. O piloto identifica o problema, executa o checklist, uma lista de procedimentos que orienta a tripulação sobre o que fazer em determinada situação, pousa o avião e, depois que a aeronave está no chão, segue outro roteiro até que tudo esteja resolvido.
Nem sempre é tão simples assim. Uma emergência pode terminar no momento em que o avião toca o solo. Ou pode continuar depois do pouso, exigindo uma decisão imediata sobre o que fazer com os passageiros.
O checklist pode orientar a tripulação sobre como executar uma ação, mas não necessariamente determina se aquela ação deve ser tomada. "Não existe um checklist do que fazer ao pousar após uma situação crítica. A emergência já foi contornada de alguma forma e o avião pousou", explica Thiago Brenner, piloto de linha aérea e produtor do canal Aircraft Performance no YouTube.
"O único checklist que existe no solo, nesse sentido, é o de evacuação", diz. A questão, porém, vem antes do checklist: é preciso evacuar? Segundo Brenner, essa avaliação é empírica de cada piloto, e cabe a ele julgar.
Nem toda emergência enfrentada durante um voo continua após o pouso. Se um motor pegou fogo em voo e o incêndio foi apagado e o motor isolado, o problema se encerra quando o avião para. Os passageiros podem desembarcar nesse caso pelo portão do aeroporto normalmente.
O cenário muda quando o risco persiste. Brenner cita o pouso de um Fokker 100 da Avianca em Brasília sem o trem de pouso do nariz. O atrito da fuselagem com o asfalto cria risco de incêndio mesmo após a parada. Ali, a prioridade é tirar todos do avião o mais rápido possível.
Mesmo assim, o checklist orienta como evacuar, mas não determina quando.
Durante décadas, a evacuação dependia de uma ordem do comandante do voo, e os comissários não podiam agir por conta própria. Dois acidentes expuseram o perigo dessa rigidez.
No voo Saudia 163, em 1980, a aeronave pousou em segurança após um princípio de incêndio, mas ninguém ordenou a evacuação. A fumaça invadiu a cabine, incapacitou os pilotos, e todos a bordo morreram, mesmo o avião estando intacto e parado no chão.
"Os comissários obedientemente não evacuaram sem falar com os pilotos, e o fogo se alastrou", lembra Brenner.
Esse foi um dos motivadores do que é chamado hoje de evacuação por evidência, que são situações em que a tripulação de cabine inicia a retirada sem esperar ordem.
Ainda assim, a orientação é tentar contato com os pilotos antes. Se não for possível, evacua-se.
Em janeiro de 2024, um A350 da Japan Airlines colidiu com outra aeronave na pista do aeroporto de Haneda e pegou fogo. Sem comunicação com a cabine, a comissária-chefe decidiu: "Não interessa. Agora nós vamos para fora", conta Brenner.
Essa mesma autonomia pode gerar erros, entretanto. Em 2024, um avião da Azul taxiava para decolagem quando uma luz que indicava que o avião estava acionado, uma espécie de farol vermelho na barriga da fuselagem, refletiu nos motores e criou a ilusão de fogo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.