Quando faz sentido investir em ETFs de renda fixa?
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
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Você pode comprar uma carteira inteira de títulos públicos, pagar uma taxa de administração reduzida e ainda evitar a antecipação de impostos que ocorre em muitos fundos tradicionais. Parece uma combinação perfeita.
Mas será que os ETFs de renda fixa são vantajosos para qualquer investidor? A resposta depende principalmente da estratégia que se pretende seguir e do prazo durante o qual ela será mantida.
ETF é a sigla em inglês para fundo negociado em Bolsa. Portanto, antes de tudo, trata-se de um fundo de investimento . No Brasil, os ETFs de renda fixa se concentram em estratégias passivas, nas quais o gestor procura reproduzir o desempenho de um índice de referência, em vez de escolher livremente os títulos que considera mais atraentes.
Existem índices formados por títulos públicos prefixados e outros compostos por títulos atrelados à inflação . O IRF-M, por exemplo, acompanha títulos prefixados do Tesouro Nacional, enquanto o IMA-B reúne títulos indexados ao IPCA .
Ao comprar cotas de um ETF que acompanha um desses índices, o investidor participa de uma carteira composta por diferentes títulos, sem precisar adquiri-los separadamente.
A primeira vantagem é a simplicidade. Com uma única operação e valores relativamente pequenos, é possível acessar uma carteira diversificada em vencimentos.
Como a estratégia busca acompanhar um índice, as taxas de administração também costumam ser inferiores às dos fundos de gestão ativa. Entretanto, a principal vantagem pode aparecer para quem deseja manter determinada estratégia por muitos anos.
Considere alguém que pretende manter parte do patrimônio permanentemente investida em títulos públicos indexados à inflação. Se optar por comprar os títulos diretamente e quiser manter essa exposição ao longo dos anos, precisará reinvestir os recursos à medida que os papéis vencerem.
A cada vencimento, haverá recolhimento de Imposto de Renda sobre os rendimentos, reduzindo o montante disponível para a próxima aplicação. Em um ETF que acompanha um índice dessa natureza, a carteira é renovada internamente, sem que cada substituição de título provoque tributação para o cotista.
Essa diferença pode ser relevante no longo prazo. Um título individual mantido até o vencimento também permite adiar o imposto, desde que não haja pagamentos intermediários tributáveis. A vantagem do ETF aparece principalmente quando o investidor deseja manter continuamente uma estratégia que exige substituir títulos ao longo do tempo.
Além disso, enquanto mantiver suas cotas, não estará sujeito ao recolhimento semestral conhecido como come-cotas, presente em muitos fundos tradicionais. A parcela que seria antecipadamente destinada ao Fisco permanece investida, contribuindo para os juros compostos.
A tributação apresenta outra particularidade.
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