Assessoria de comunicação de Lula precisa ler Gramsci, McLuhan e Habermas
Hoje (14), no Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras (JTT), do Portal Desacato, em conversa com os apresentadores Raul Fittipaldi e Emi Pandolfo, comentei sobre a necessidade de a Assessoria de Comunicação da campanha do presidente Lula ler três importantes pensadores.
Gramsci, para disputar a hegemonia cultural com a extrema direita; McLuhan, para compreender que “o meio é a mensagem” e adaptar um determinado conteúdo às redes sociais; e Habermas, para reconhecer os limites da esfera pública racional diante da lógica do engajamento digital.
Sobre Gramsci, chamei a atenção para a importância de a esquerda travar com a extrema direita a batalha pela hegemonia cultural, isto é, a capacidade de construir a narrativa dominante sobre os fatos e confrontar imaginários.
Além do campo comunicacional, a hegemonia se disputa na sociedade civil, não apenas no Estado.
Não por acaso, a extrema direita está infiltrada nos mais diferentes espaços da sociedade: escolas, igrejas, conselhos, associações.
Também citei a ausência de um projeto de conscientização das massas como falha dos governos petistas.
Assim, indivíduos que ascenderam socialmente e melhoraram suas condições materiais de vida não associaram tal realidade às políticas sociais, mas ao “mérito individual”, seja por meio da Teologia da Prosperidade ou dos discursos fajutos de coachs picaretas.
Por outro lado, disputar essa hegemonia discursiva requer conhecer a máxima de McLuhan: o meio é a mensagem.
Segundo este pensador, cada veículo de comunicação tem certas peculiaridades que moldam a mensagem.
Dito de outro modo, um determinado conteúdo será apresentado de maneira mais aprofundada em um livro e de maneira mais simples em uma reportagem televisiva.
Dessa forma, é fundamental compreender a dinâmica das redes sociais.
É inócuo a assessoria da campanha de Lula fazer comunicação via internet aos moldes do rádio, do jornal impresso ou da TV.
Cada meio tem sua lógica.
Nessa linguagem das redes, em um debate, o corte para postar no Instagram é mais importante do que os argumentos.
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