Enquanto Flamengo torna profissionalismo regra, Corinthians e São Paulo patinam nas gestões amadoras
Desde que as Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) chegaram ao Brasil no começo desta década, cresceu o debate sobre o modelo de gestão dos clubes do país.
Enquanto elas são vistas como a salvação da lavoura para times com as finanças em frangalhos (embora Vasco e Botafogo estejam aí para desmentir essa máxima), o modelo de clube associativo passou a ser encarado como uma forma ultrapassada e condenada a desaparecer.
Tomar isso como uma verdade incontestável seria ignorar que Flamengo e Palmeiras, as duas equipes mais bem-sucedidas do futebol brasileiro nesta década, são associações.
O que difere esses clubes de rivais que adotam o mesmo modelo é que ambos são geridos de forma profissional, enquanto os demais ainda convivem com gestões amadoras, casos de São Paulo e Corinthians , por exemplo.
Nesta terça-feira (15), o Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou o substitutivo da reforma estatutária que torna permanente o modelo de gestão profissional hoje em vigor e ainda estabelece uma separação mais clara entre governança, supervisão e execução.
O que muda no Flamengo? Pela proposta, que foi defendida pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap , a administração do clube ficará sob responsabilidade de uma diretoria profissional, composta por executivos remunerados e selecionados por critérios técnicos e com veto total ao nepotismo.
O comando principal ficará a cargo de um diretor-geral, que cuidará da administração do clube propriamente dita, e de um diretor de futebol, que fará a gestão do time profissional e das categorias de base.
Esses cargos técnicos irão substituir as atuais vice-presidências específicas, que são preenchidas politicamente.
A proposta, que recebeu o apoio de 92% dos 696 conselheiros votantes, criou o Conselho Gestor (Coge), que será encarragado de supervisionar a atuação da diretoria e acompanhar diferentes áreas da administração.
A partir de agora, o orçamento anual do Flamengo estará atrelado a um plano estratégico para três anos, com visão projetada para cinco anos, e a indicadores de performance.
Além da proibição à contratação de parentes no clube, a reforma estatutária institui uma regra de quarentena, segundo a qual associados que ocuparam cargos eletivos no Flamengo deverão aguardar um período mínimo antes de poderem estar aptos a participar da diretoria profissional.
Profissionalismo x amadorismo As alterações no Estatuto do Flamengo trazem duas importantes transformações significativas.
Por um lado, eliminam grande parte dos cargos políticos na gestão do clube.
Num país com uma história tão conturbada como a nossa e em que os meandros do poder são invariavelmente marcados pelos conchavos e corrupção, trocar políticos por técnicos pode parecer o caminho mais óbvio para se alcançar uma gestão de sucesso.
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