Centenas de peruanos são atraídos por falsas ofertas de trabalho na Rússia e acabam na guerra na Ucrânia
A Rússia recruta soldados do outro lado do mundo, inclusive na América Latina. Muitas vezes atraídos por falsas ofertas de emprego, esses imigrantes acabam nas trincheiras. Mais de 400 peruanos foram recrutados pelo Exército russo para lutar na Ucrânia.
À primeira vista, a oferta era tentadora: empregos na Rússia como operário, agente de segurança ou cozinheiro, com remuneração entre US$ 4 mil e US$ 5 mil (entre R$ 20 mil e R$ 25 mil na cotação atual) e bônus que poderiam chegar a US$ 20 mil (mais de R$ 100 mil). Para muitos jovens peruanos, a proposta representava a chance de mudar de vida. No Peru, um trabalhador com menos de 25 anos ganha, em média, o equivalente a US$ 350 (R$ 1.800) por mês, segundo dados oficiais de 2024.
Foi assim que a Rússia recrutou centenas de peruanos para enviá-los à frente de guerra. As denúncias das famílias desses jovens, presos na armadilha, mencionam intermediários que atuavam sob pseudônimos, como "Falcon" ou "Kraken", além de cidadãos mexicanos, colombianos e peruanos.
Uma vez no destino, veio a desilusão para quem caiu na armadilha. Segundo relatos das famílias, foram confiscados passaportes, documentos de identidade e celulares logo após obrigarem esses cidadãos a assinar, sem tradução, um documento em russo.
“Disseram-lhes que todos fariam o serviço militar obrigatório na Rússia. Meu marido não fala russo, mas forçaram-no a assinar”, lamenta Yovana Muñoz, esposa de um dos peruanos recrutados.
Algumas famílias chegam a mencionar dívidas de US$ 16 mil ou US$ 20 mil referentes a supostos custos de mudança, que os peruanos teriam de pagar por meio de seu serviço no Exército russo. As famílias que prestam depoimentos no Peru, aliás, preferem manter o anonimato por medo de represálias em território nacional.
Ainda assim, alguns conseguem, em raras ocasiões, se comunicar com seus parentes. Na linha de frente, eles descrevem um verdadeiro inferno, como relata Yovana Muñoz sobre o marido: “Atiraram nele e o deixaram por morto. Ferido, ele caminhou até um pequeno centro de saúde na Ucrânia. Ele me diz que quer voltar ao Peru, porque essa experiência foi uma tortura.”
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru, que acaba de obter o repatriamento de quatro cidadãos que viajaram para a Rússia, essa armadilha já teria atingido cerca de 459 peruanos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.