Banco Central negocia acesso a modelos de IA antes do lançamento para proteger o sistema financeiro
O Banco Central está em negociação com empresas de tecnologia e instituições financeiras para ter acesso a modelos de inteligência artificial ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, antes de chegarem ao mercado.
A ideia é antecipar os riscos que essas ferramentas podem representar e preparar o sistema financeiro nacional para enfrentá-los, como tem ocorrido no mercado americano.
A informação foi dada por Caio Moreira Fernandes, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central, durante a Febraban Tech 2026, nesta segunda-feira (24), em São Paulo.
"Aqui no Brasil a gente tem um trabalho em andamento, ainda em construção", afirmou.
O maior desafio, segundo ele, tem sido fechar os acordos, tanto com o setor produtivo quanto com o mercado financeiro.
Fernandes citou como referência o Project Glasswing, iniciativa da Anthropic (desenvolvedora do Claude) que concede a empresas de tecnologia e de cibersegurança acesso antecipado a um modelo avançado ainda não lançado, o Mythos, para que identifiquem vulnerabilidades antes que capacidades semelhantes fiquem amplamente disponíveis.
Lançado em abril, o projeto reúne companhias como Microsoft, Amazon, Google e o banco americano JPMorgan.
Os principais riscos no horizonte do Banco Central do Brasil são, segundo o diretor, a criptografia após o advento da computação quântica, com a possibilidade de que dados capturados hoje sejam decifrados no futuro, e o uso de inteligência artificial para levantar vulnerabilidades e massificar ataques.
Ponderou, porém, que a capacidade de defesa também avança.
"Não é só de um lado que é aumentada, do outro lado também", disse, ao destacar ganhos na detecção de anomalias e na resposta a incidentes.
A avaliação, compartilhada entre os participantes da mesa que discutiu o futuro da segurança do sistema financeiro nacional na era da IA, é de que a antecipação ao acesso das tecnologias de ponta é decisivo para a prevenção a ataques.
O prazo para a ameaça quântica se materializar preocupou os participantes.
Alessandro Faria, confundador da Multicortex, afirmou que, mesmo num cenário conservador, o risco deve se concretizar até, na estimativa conservadora, 2032, e que os sistemas legados do setor financeiro terão dificuldade de se preparar a tempo.
"Todos devem começar a pensar nisso nesse momento", disse.
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