Nobel da Paz 2026: Navi Pillay defendeu Nelson Mandela e lutou contra o apartheid
O Comitê Norueguês entregou nesta sexta-feira, 9, o Prêmio Nobel da Paz a Navanethem “Navi” Pillay , uma renomada jurista, advogada e ativista de direitos humanos sul-africana, pela promoção de paz e do direito internacional ao processar casos contra crimes de guerra e crimes contra a humanidade .
Antes de chegar aos grandes tribunais internacionais, onde legou precedentes fundamentais para a jurisprudência global, Navi Pillay, cresceu sob o rigoroso regime do apartheid na África do Sul e, devido à origem tâmil indiana, sofreu na pele as consequências da segregação racial.
Pois, impedida de frequentar praias e parques reservados a brancos, ela fez do direito uma arma contra o estado policial.
Foi nesse cenário de opressão que a jovem advogada, primeira mulher não branca a abrir um escritório na província de Natal, cruzou seu destino com o de Nelson Mandela . + Quem é Navanethem ‘Navi’ Pillay, ganhadora do Nobel da Paz de 2026 A relação entre os dois ganhou contornos históricos em 1973, quando Pillay conquistou uma vitória emblemática nos processos Estado v.
Kader Hassim e Estado v.
Harry Gwala : garantiu aos presos políticos encarcerados na Ilha Robben, que funcionava como uma prisão de segurança máxima durante o regime, o direito de acesso formal a advogados e a julgamentos justos em caso de infrações disciplinares na prisão, expondo a tortura e as más condições impostas aos detidos.
Entre eles, estava Mandela.
Continua após a publicidade Memórias do líder Ao recordar as barreiras impostas pela Justiça segregacionista, a jurista relembrou a postura irredutível do líder anticolonial.
“Quando Nelson Mandela foi acusado pela primeira vez, ele se recusou a se declarar culpado ou inocente por não ter confiança em um tribunal do apartheid.
O magistrado respondeu que aquele era o tribunal de um homem branco e que permaneceria assim”, afirmou em entrevista à organização Nuremberg Academy, em 2023. + Navanethem ‘Navi’ Pillay: os casos mais marcantes na trajetória jurídica da Nobel da Paz Continua após a publicidade Décadas mais tarde, ao refletir sobre a libertação de Mandela após 27 anos de cárcere, Pillay descreveu a dimensão moral do líder que evitou um banho de sangue em seu país.
“Lembro-me bem de como, quando ele foi finalmente libertado, os sentimentos na África do Sul estavam fervilhando: sentimentos de ódio, sede de vingança… Eu compartilhava alguns desses sentimentos — era difícil não compartilhar, depois de viver tantos anos sob o apartheid.
Mas Nelson Mandela recusou-se a seguir por esse caminho.
Ele nos mostrou que um futuro melhor dependia da reconciliação, e não da vingança”, disse ela quando o líder faleceu, em dezembro de 2013.
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