Incêndios causam mais perdas de carbono do que Pantanal consegue recuperar
A vegetação do Pantanal tem grande capacidade de se recuperar depois das queimadas.
Plantas rebrotam, arbustos voltam a crescer e a paisagem recupera o verde.
Mas essa resistência natural não é suficiente para compensar todo o carbono perdido com os incêndios sucessivos.
Ao longo de quatro décadas, o fogo provocou perdas maiores do que os ganhos associados à recuperação da vegetação, revelando um desequilíbrio que nem sempre é percebido quando a paisagem volta a ficar verde.
Uma pesquisa que analisou as mudanças na vegetação de Mato Grosso do Sul entre 1985 e 2024 identificou que, no Pantanal, as perdas acumuladas de carbono atribuídas ao fogo chegaram a 145,7 milhões de toneladas.
No mesmo período, os ganhos estimados com a recuperação e as mudanças da vegetação somaram 27 milhões de toneladas.
Os dados fazem parte do estudo “A recuperação da vegetação não consegue compensar as perdas de carbono causadas por incêndios recorrentes em um mosaico de savanas e áreas úmidas tropicais”, publicado em 2026 na revista científica internacional Forest Ecology and Management.
O pesquisador Rômullo Oliveira Louzada conduziu o estudo, em colaboração com Diego Campos Vasconcelos, André Nogueira Bozza, João Gabriel Chaib e Renato Maurício Barbosa Tavares.
O trabalho teve como base inventários florestais do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e informações do MapBiomas.
O resultado ajuda a explicar o que acontece quando uma mesma área queima, recupera parte da vegetação e volta a ser atingida pelo fogo, repetindo esse processo durante décadas.
“Ele armazena, mas ele não consegue reter”, resume Louzada, ao explicar que a vegetação acumula carbono durante o crescimento, mas parte dele é novamente perdida nos incêndios.
Depois do fogo - Durante o crescimento, as plantas absorvem gás carbônico da atmosfera e armazenam carbono em troncos, galhos, folhas e outros tecidos.
Quando a vegetação queima, parte dessa matéria vegetal é consumida, liberando carbono de volta à atmosfera.
No Pantanal, muitas espécies estão naturalmente adaptadas ao fogo e conseguem rebrotar após as queimadas.
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