Gilmar Mendes manda recado contra “politização” da Justiça Eleitoral
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, utilizou seu perfil no X (ex-Twitter) para fazer um alerta sobre o que ele entende ser os riscos que rondam o processo eleitoral brasileiro.
Em uma longa postagem, o magistrado exaltou o histórico da Justiça Eleitoral, lembrando que a implementação das urnas eletrônicas pôs fim a antigas práticas de fraude em todo o território nacional.
No entanto, ele advertiu que o avanço da inteligência artificial (IA) e a tentativa de aparelhamento político das cortes representam novas e graves ameaças à democracia.
“A Justiça Eleitoral sempre gozou de enorme prestígio entre os brasileiros.
E não é para menos! Do Oiapoque/AP ao Chuí/RS, de Mâncio Lima/AC a João Pessoa/PB, ela se faz presente.
A cada dois anos, todos os municípios do país recebem urnas eletrônicas, confiáveis e auditáveis, que puseram fim às antigas práticas de fraude.
Com atuação apartidária e fiel à Constituição, o TSE sempre garantiu a paridade de armas entre candidatos e a legitimidade das eleições.
Os desafios, no entanto, continuam”, apontou o ministro.
Segundo o magistrado, “o desenvolvimento tecnológico tem apresentado uma série de novas dificuldades à regularidade da formação da vontade popular”, lembrando que as ferramentas de inteligência artificial “permitem a criação de vídeos, áudios e peças de propaganda capazes de enganar o eleitor e desequilibrar as disputas eleitorais”.
Riscos da “politização” Para ilustrar a vulnerabilidade do cenário, o ministro citou um experimento revelado pela Folha de S.Paulo , no qual pesquisadores criaram 15 propagandas eleitorais falsas com IA.
“Treze passaram pelos filtros da Meta.
Entre elas, uma imagem falsa do Presidente do TSE alterando a data do primeiro turno e uma convocação a ‘retomar Brasília, como fizemos em 8 de janeiro'”, destacou.
O ministro citou um relatório reservado da Abin apontando risco crítico de interferência externa nas eleições.
Apesar das ameaças externas, Gilmar Mendes reservou o tom mais incisivo para o que classificou como possibilidade de politização da própria Justiça Eleitoral.
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