Analgésicos todo dia: saiba quando a solução para dor vira o problema
Recorrer a analgésicos, como paracetamol ou dipirona , é um hábito comum para aliviar dores pelo corpo, mas pode se tornar um problema.
O uso contínuo desses remédios apenas afasta os sintomas, podendo esconder a verdadeira causa do problema e atrasar o tratamento correto.
O médico Lúcio Gusmão, especialista em dor e fundador da Rede CADE, explica que o alerta surge quando o medicamento deixa de ser uma forma de controlar os sintomas momentaneamente para um mecanismo de escape permanente.
Ele afirma que o analgésico é importante em determinadas situações, mas não deve ser a resposta para todo incômodo.
Leia Mais Mortes ligadas à cocaína crescem no Brasil, alerta relatório da ONU Sobrecarga emocional pode causar crises de enxaqueca; entenda relação Composto da cannabis pode eliminar pesadelos de estresse pós-traumático Quando uma pessoa precisa tomar medicamento repetidamente para conseguir seguir a rotina, é preciso investigar por que aquela dor continua acontecendo.
Porém, na correria do dia a dia e na pressão por produtividade, as pessoas deixam de consultar um profissional o o objetivo do é a busca pelo alívio momentâneo e não a recuperação da funcionalidade a longo prazo.
Luiz Gusmão Uso de opioides A preocupação aumenta quando se faz uso de analgésicos opioides, como a morfina .
Um estudo publicado na revista Addiction, que analisou 4,3 milhões de pessoas com dor crônica não cancerígena tratadas com opioides, traz um alerta: 9,3% dos pacientes desenvolveram dependência ou transtorno pelo uso da medicação, enquanto quase 30% apresentaram sinais e sintomas dessas condições.
Sobre a dependência , o especialista explica que não ocorre porque alguém usou opioides durante um período curto, mas envolve fatores relacionados ao tipo de medicamento, à duração do uso, a fatores genéticos, à dose, à falta de disciplina do paciente e ao próprio contexto da dor.
Atualmente, uma das formas de evitar isso é a administração controlada de cannabis medicinal (CBD e THC), com menor nível de dependência e menos efeitos colaterais.
O médico conta que costuma receber pacientes em seu consultório que fazem uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios fortes por conta própria .
Em alguns casos, a pessoa já chega preocupada e ansiosa com a possibilidade de cortar um remédio.
Nessa situação, iniciamos o protocolo de desmame.
Primeiro precisamos entender o que causa aquela dor e, dependendo do medicamento e do tempo de uso, fazer uma retirada mais ou menos progressiva dele.
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