Crédito Oculto: entenda o esquema envolvendo combustíveis e empresário que fez repasses a ‘Dark Horse’
A terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Crédito Oculto , foi deflagrada nesta quinta-feira, 24, para investigar um esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado fundos de investimento, fintechs e operações bancárias para esconder os beneficiários efetivos de negócios no setor de combustíveis.
Entre os alvos está o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que também é delator nas investigações envolvendo o Banco Master e aparece em apurações sobre repasses destinados ao filme “Dark Horse” , sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação investiga a utilização de estruturas financeiras complexas para viabilizar a aquisição de uma das grandes distribuidoras de combustíveis do país.
De acordo com as autoridades, os mecanismos empregados também teriam sido utilizados para ocultar a propriedade de uma usina de açúcar e álcool e dificultar a identificação dos beneficiários finais dos negócios.
A ofensiva desta quinta-feira mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Receita Federal e as polícias Civil e Militar.
Foram cumpridos mandados em endereços ligados a 13 pessoas e 19 empresas nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
Como funcionava o esquema, segundo as autoridades Segundo as investigações, fintechs teriam usado sua estrutura para ocultar os verdadeiros proprietários de uma usina de açúcar e álcool.
Formalmente, a empresa estaria registrada em fundos de investimento aparentemente independentes.
Na avaliação dos investigadores, porém, o controle econômico permaneceria com integrantes do grupo já investigado na Carbono Oculto.
A estratégia teria criado uma separação entre a propriedade formal das empresas e quem efetivamente controlava os negócios.
Com diferentes fundos e empresas interpostos na estrutura, os investigadores buscaram reconstruir o caminho do dinheiro e identificar os beneficiários finais.
Continua após a publicidade Um dos negócios sob investigação envolve aproximadamente 370 milhões de reais em direitos creditórios da usina.
A análise financeira indicou que uma parcela relevante dos recursos usados para adquirir as cotas teria partido de fundos controlados pelo próprio grupo investigado.
O dinheiro, portanto, teria circulado entre estruturas relacionadas aos mesmos envolvidos, produzindo uma aparência de operação legítima e dificultando o rastreamento dos beneficiários.
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