MPSP quer Eduarda Campopiano condenada por transfobia contra Érika Hilton
São Paulo — O Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) pediu à Justiça a condenação da vereadora Eduarda Campopiano (PL-SP) , de Praia Grande, no litoral paulista , por transfobia contra a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP) .
Na petição, a Promotoria cita um tweet feito por Campopiano horas após a eleição para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A deputada estadual eleita se referiu a Érika, que é uma mulher trans, como “um homem biológico”.
“Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”, publicou no X (antigo Twitter).
Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos, sendo a parlamentar mais votada para a Alesp, entre homens e mulheres. Érika Hilton, por sua vez, foi a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados. A parlamentar somente ficou atrás de Lucas Pavanato (PL), aliado e padrinho político de Campopiano.
Em ação civil pública movida contra a vereadora, o MPSP pede que Eduarda Campopiano seja condenada ao pagamento de R$ 100 mil a título de danos morais coletivos ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), faça uma retratação pública e se abstenha de falar ou publicar quaisquer mensagens de cunho transfóbico.
Também requer que, no prazo de um ano, ela apresente um comprovante de frequência e aproveitamento em um curso de letramento sobre inclusão social.
“A negação pública da identidade de gênero de parlamentar trans em redes sociais extrapola o âmbito do debate e manifestação política legítima, podendo configurar discriminação e violência política de gênero”, sustentou o promotor de Justiça de Direitos Humanos Ricardo Manuel Castro na ação.
O Metrópoles pediu um posicionamento de Eduarda Campopiano, através de sua assessoria de imprensa, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto em caso de eventual manifestação.
A deputada federal reeleita Érika Hilton (Psol-SP) disse, em uma entrevista ao Metrópoles , que a eleição de Eduarda Campopiano (PL-SP) à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ( Alesp ) representa uma ameaça direta aos direitos das pessoas trans e uma tentativa de fazer com que pautas por dignidade e cidadania não avancem.
Érika citou a alta dos casos de feminicídio no estado de São Paulo e o aumento da violência e afirmou que figuras como a agora deputada estadual “não tem propostas para enfrentar esses temas”.
“Eu acho que suas eleições representam, sim, uma ameaça direta aos nossos direitos e uma tentativa de nos paralisar, de nos fazer recuar, de fazer com que nossas pautas por dignidade, por cidadania, não avancem e que nós possamos viver o Brasil dos horrores, dos espetáculos, da lacração, o Brasil onde nós aceitamos que pessoas que tenham falas asquerosas e nojentas possam assumir cargos de grande responsabilidade e transforme tudo em dancinhas de TikTok”, disse ela.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.