E se meu marido descobrir o vibrador?
Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"
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Todos os dias ganho uma nova amiga na pracinha onde faço meus exercícios. No dia 27 de julho, no fim da tarde, conheci Rita.
Rita tem 57 anos, é evangélica e trabalha há 20 anos em um apartamento de um casal de mais de 70 anos. Ela tem duas filhas, uma de 33 e outra de 37 anos, e cinco netos.
Conversamos durante mais de duas horas e ela contou coisas para mim que nunca contou para ninguém.
Rita disse que está louca para se aposentar, apesar de gostar muito da "patroa". Ela dorme no emprego de segunda a sexta e, depois que prepara o jantar, vai para o seu quartinho para assistir à novela.
Só encontra o marido nos finais de semana, embora, todos os dias, na hora do almoço, telefone para ele.
"Sou baiana, sou muito fogosa, meu primeiro marido também era baiano. Ele fazia com que eu subisse pelas paredes como uma lagartixa. Me separei porque a mãe dele inventava muitas mentiras sobre mim e ele acreditou nela".
Já o segundo marido, com quem está casada há 12 anos, nunca conseguiu fazer Rita "subir pelas paredes".
"Ele é um homem muito bom, trabalhador, mas eu sou uma mulher fogosa. Não me separo porque já tenho quase 60 anos. Minhas netas adoram meu marido, chamam de avô. Mas ele não tem fogo na cama. Nunca gozei com ele ".
Ela sente muita saudade do baiano que sabia como fazê-la "subir pelas paredes como uma lagartixa".
Conversa vai, conversa vem, ela me mostrou no celular um vídeo da Angélica falando que tem uma gaveta cheia de vibradores .
"Minha prima já quis me vender um, mas tenho muita vergonha. Imagina se eu morro e minha patroa encontra o vibrador na minha gaveta? Morro de vergonha".
"Eu limpo tudo, gavetas, armários. Tenho certeza que ela não tem", Rita respondeu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.