Afya e Yduqs terão de vencer Cade, Enamed e governança para tirar combinação do papel
A possível combinação entre Afya e Yduqs pode criar um gigante do ensino de medicina no Brasil e, justamente por isso, terá de superar obstáculos regulatórios, societários e operacionais antes de sair do papel.
Juntas, as duas companhias somariam quase 5,9 mil vagas anuais de medicina.
A Afya tem 3.768 vagas médicas aprovadas, enquanto o IDOMED, braço de medicina da Yduqs, tem 2.120.
Em levantamento do BTG com dados de 2025, Afya e Yduqs apareciam como os dois maiores operadores privados do segmento, com participação conjunta de cerca de 17,6% das vagas operacionais de medicina no país.
O tamanho da combinação deve colocar o Cade no centro da operação.
A análise não necessariamente será feita apenas pela participação nacional, mas também pelas sobreposições em mercados locais.
O precedente é sensível para a própria Yduqs: em 2017, o Cade barrou a aquisição da Estácio pela Kroton ao concluir que a operação reduziria a concorrência em diferentes municípios e encontraria poucas condições para entrada de novos competidores.
O desafio regulatório ficou ainda mais evidente neste mês.
O STJ restabeleceu medidas do Ministério da Educação contra cursos de medicina mal avaliados no Enamed, justamente num momento em que Afya e Yduqs discutem aproximação.
Cálculos de mercado indicam que 15% das vagas de medicina da Yduqs e 7% das da Afya podem estar expostas a restrições decorrentes dos resultados do exame.
Continua após a publicidade Há também uma engenharia societária a resolver.
A Bertelsmann controla 64,7% do capital da Afya e cerca de 84% dos votos, enquanto a Yduqs não tem controlador definido.
Além disso, a família Esteves, fundadora da Afya, preserva direitos especiais sobre decisões como novas emissões de ações enquanto mantiver mais de 10% das ações classe B.
Qualquer combinação em papéis terá, portanto, de definir não apenas a relação de troca, mas também quem comandará o grupo resultante.
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