Na Alemanha, o Estado. No Brasil, o espetáculo
PAUSE! Dê o play em Geração Coca-Cola, da Legião Urbana, para coemergir com o começo da leitura.
A canção é de 1985.
O país saía da ditadura, e uma geração criada a enlatados, hoje acima dos 55, jurava devolver tudo o que lhe empurravam.
Quarenta anos depois, o enlatado só mudou de embalagem.
Duas palavras lavadas, uma em Berlim, outra em Goiânia Lavar uma palavra é tirar dela a mancha da própria história e devolvê-la à circulação como se fosse nova.
Em entrevista à The Economist , concedida em outubro de 2026, Alice Weidel, colíder da Alternativa para a Alemanha (AfD), foi confrontada com a condenação de Björn Höcke, multado pela Justiça alemã por usar “ Alles für Deutschland ” (“Tudo pela Alemanha”), lema da SA, a milícia paramilitar de Hitler.
Weidel respondeu que a frase significava apenas “ Germany first “.
Um lema nazista virou slogan de campanha americana.
Em Goiânia, Flávio Bolsonaro prometeu usar a maioria no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar” o Brasil.
A redemocratização brasileira tem data e endereço: a Constituição de 1988.
Prometer “redemocratizar” emendando essa mesma Constituição é tratá-la como obstáculo à democracia que ela instituiu.
O artigo 60 põe fora do alcance de qualquer maioria o voto direto, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.
Nada disso cabe num palanque.
A palavra cabe.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.