MRV dispara 11% e construtoras sobem após prévias do trimestre
As ações de MRV, Cury e Tenda avançam nesta sexta-feira (9) após a divulgação das prévias do resultados operacionais do terceiro trimestre. Os números mostram crescimento das vendas e geração de caixa, mas também os efeitos da greve da Caixa e de critérios mais rígidos para a aprovação de financiamentos.
A MRV lidera a alta entre as três construtoras . Por volta de 12h15, a ação subia 11,20%, a R$ 7,15. Cury avançava 8,26%, a R$ 34,08, e Tenda ganhava 6,71%, a R$ 31,47.
A MRV informou geração de caixa de R$ 456 milhões no trimestre, ante R$ 70 milhões no período anterior . O desempenho contou com vendas de ativos da Resia, operação nos Estados Unidos, e da Luggo. A dívida líquida caiu de R$ 5,9 bilhões para R$ 5,3 bilhões.
As vendas líquidas da MRV Incorporação superaram R$ 3 bilhões pela primeira vez em um trimestre . O total de R$ 3,04 bilhões representou crescimento de 29,6% na comparação com o ano anterior. A companhia atribuiu o desempenho à estratégia de comercialização de estoques, que permitiu acelerar as vendas mesmo com menos lançamentos.
O Itaú BBA vê um trimestre misto para a MRV. No relatório assinado por Elvis Credendio, Mariangela Castro e Juliana Veiga, o banco destaca a contribuição das vendas de ativos para o caixa, mas ressalta que a operação do Minha Casa, Minha Vida ainda consumiu recursos. Também aponta uma mudança no reconhecimento das vendas, que passaram a ser registradas antes do repasse ao banco, limitando a comparação com os períodos anteriores.
O fluxo de caixa das operações brasileiras continua sendo fundamental para reduzir a alavancagem a níveis mais confortáveis. Itaú BBA sobre a MRV
A greve da Caixa atrasou R$ 80 milhões em recebimentos da MRV, segundo os analistas . O BTG Pactual, em relatório assinado por Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, observa que, mesmo descontando esse efeito, a geração de caixa da operação de baixa renda teria ficado abaixo do esperado. A melhora do caixa consolidado, portanto, veio acompanhada de ressalvas sobre o desempenho da atividade principal.
Na Cury, a geração de caixa foi um dos destaques positivos . A empresa gerou R$ 254 milhões, acima dos cerca de R$ 200 milhões esperados pelo BTG. As vendas líquidas chegaram a R$ 2,03 bilhões, alta de 11,4% sobre um ano antes, enquanto a velocidade de vendas ficou próxima de 40%.
Acreditamos que os números reforçam o controle rigoroso das operações e o modelo de negócios enxuto da companhia. BTG Pactual sobre Cury
O Itaú BBA considerou os números da Cury melhores do que o mercado projetava . Os analistas afirmam que suas expectativas eram mais altas alguns meses antes, mas foram reduzidas ao longo do trimestre diante das dificuldades relacionadas à Caixa, incluindo a greve e uma análise mais rigorosa dos compradores.
Os cancelamentos cresceram e reduziram parte do avanço das vendas . Na Cury, chegaram a R$ 358 milhões, alta de cerca de 60% ante um ano antes, e corresponderam a 15% das vendas brutas. Segundo o Itaú BBA, o aumento refletiu compradores que não conseguiram aprovação do financiamento ou desistiram diante da demora nos repasses.
Na Tenda, as vendas cresceram, mas os distratos pesaram no resultado operacional .
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