Empresa do vice de Tarcísio fez remessas irregulares via conta do “doleiro dos doleiros”, revela Intercept
Uma empresa da família do vice-governador Felício Ramuth (MDB) foi punida pelo Carf por operações envolvendo remessas de dinheiro aos Estados Unidos, segundo documentos revelados pelo Intercept Brasil .
Ramuth fazia parte do quadro societário da Ramuth e Ramuth Ltda. quando ocorreram as movimentações, em 2000.
A companhia, conhecida à época como Gasômetro do Vale e hoje chamada Gasômetro Madeiras, apareceu em documentos produzidos a partir das investigações do escândalo Banestado.
A empresa foi autuada em 2005 sob a acusação de enviar recursos ao exterior sem declará-los ao Sistema Financeiro Nacional.
A defesa negou as transferências, mas não conseguiu reverter a cobrança na esfera administrativa.
Em 2010, o Carf manteve a punição.
Felício Ramuth deixou a sociedade em 2007.
Hoje, a companhia tem como sócios Elcio e Samy Ramuth, pai e irmão do vice-governador de São Paulo.
O caso teve, porém, um desfecho diferente na esfera criminal.
Um inquérito aberto para investigar possíveis crimes contra a ordem tributária foi arquivado em 2014 depois que a dívida cobrada pela Receita Federal foi paga .
O pagamento extinguiu a possibilidade de punição criminal, mas não eliminou a decisão anteriormente tomada pelo Carf.
Os documentos citados pelo Intercept também aproximam o episódio das investigações do Banestado, esquema que movimentou recursos para o exterior entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000.
Segundo a reportagem, a empresa teria utilizado uma conta nos Estados Unidos operada pelo doleiro Dario Messer.
A conta atribuída a Messer movimentou US$ 16,9 milhões em débitos e US$ 20 milhões em créditos entre 1998 e 2002.
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