Cerca de um quinto dos brasileiros não resolvem conflitos sem IA
Uma pesquisa exclusiva realizada pela CNN em parceria com o Instituto Locomotiva revelou um paradoxo significativo no comportamento dos brasileiros diante da inteligência artificial: dois terços dos usuários afirmam que a tecnologia os deixou mais inteligentes, enquanto metade admite que se tornou mais preguiçosa por causa dela.
Álvaro Machado, neurocientista e sócio do Locomotiva, comenta o tema ao Prompt CNN .
Os dados expõem uma contradição interna: 67% dos entrevistados relatam sensação de empoderamento com o uso da IA, mas 51% reconhecem uma dependência crescente que dificulta a realização de tarefas de forma autônoma.
Mais da metade daqueles que se sentem mais inteligentes também se sentem mais preguiçosos.
Leia Mais 57% dos brasileiros usam IA na compra de carros Especialista reforça que tecnologia não deve prejudicar conexão humana Jovens estão entre os mais desconfiados com IA, diz pesquisa global Dependência em decisões cotidianas Os números da pesquisa detalham como essa dependência se manifesta em diferentes áreas da vida.
Segundo os dados, 31% dos usuários não aprendem um assunto do zero sem recorrer à IA, terceirizando o processo de construção do conhecimento.
Outros 25% não tomam decisões financeiras sem antes consultar a tecnologia, e 22% não resolvem conflitos pessoais sem o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
Álvaro Machado, que comentou os resultados no programa, destacou a dimensão moral do fenômeno.
“Essa preguiça significa que nós estamos cada vez menos donos dos nossos caminhos”, afirmou.
Ele cunhou o termo “algoritmização do pensamento” para descrever o processo pelo qual o algoritmo passa a dominar a maneira como as pessoas raciocinam.
O que a ciência diz sobre o cérebro e a IA Álvaro Machado citou uma pesquisa do MIT para explicar as diferenças no funcionamento cerebral conforme o tipo de uso da inteligência artificial.
Segundo ele, quando a IA é utilizada para explorar um assunto novo, o usuário se torna mais capaz.
No entanto, quando a tecnologia é usada para substituir a elaboração do próprio pensamento — como na redação de um texto —, as áreas do cérebro ativadas são menos relevantes para o pensamento profundo do que as acionadas quando a tarefa é realizada de forma independente.
“Há de fato uma dicotomia entre o que acontece quando você usa IA para pesquisar e ampliar seu repertório do que acontece quando você usa IA para isso”, explicou Machado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.