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Júri rejeita indiciar testemunha-chave da invasão ao Capitólio nos EUA

UOL Notícias ·
Júri rejeita indiciar testemunha-chave da invasão ao Capitólio nos EUA

Um grande júri em Washington rejeitou o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para formalizar uma acusação contra Cassidy Hutchinson, ex-funcionária da Casa Branca e testemunha-chave na investigação sobre o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. A decisão foi relatada pela Associated Press, com base em duas pessoas informadas sobre o caso.

Legisladores republicanos acusam Hutchinson de mentir sob juramento em seu depoimento prestado em 2022. Na ocasião, ela relatou o comportamento de Donald Trump no dia em que uma multidão de seus apoiadores invadiu o Capitólio para tentar impedir a certificação, pelo Congresso, da derrota eleitoral de Trump para o democrata Joe Biden.

Os jurados rejeitaram a solicitação dos promotores para abrir uma acusação formal contra Hutchinson, que não se pronunciou sobre a decisão. As acusações que embasaram o pedido contra ela não foram divulgadas de imediato.

Recusas de júris de acusação são incomuns nos EUA, mas Washington já rejeitou outros pedidos do Departamento de Justiça no governo Trump. Neste ano, um júri recusou indiciar parlamentares democratas por um vídeo dirigido a militares norte-americanos, recomendando que eles seguissem os protocolos estabelecidos e rejeitassem ordens que considerassem ilegais.

A tentativa de indiciamento ocorre antes das eleições de meio de mandato, que acontecem na semana que vem. O Departamento de Justiça também tentou processar novamente o ex-diretor do FBI James Comey e fez buscas na casa da deputada Ilhan Omar, crítica de Trump.

Hutchinson trabalhava como assistente especial de Mark Meadows, então chefe de gabinete de Donald Trump, e depôs em uma audiência surpresa da Câmara. Ela afirmou que Trump estava "irritado e desafiador" no dia 6 de janeiro, e queria permitir a entrada de manifestantes armados em um ato contra sua derrota eleitoral de 2020.

A ex-assessora também relatou que Trump tentou ir ao Capitólio após o Serviço Secreto impedi-lo. Ela disse ter ouvido que o então presidente tentou agarrar o volante do carro presidencial.

O motorista do veículo presidencial contestou essa parte do relato em depoimento divulgado por republicanos em março de 2024. Ele afirmou que Trump "nunca agarrou o volante", mas confirmou que o presidente insistia em ir ao Capitólio.

Trump negou na época grande parte das declarações de Hutchinson e a chamou de 'problemática' e de 'grande farsa'. Em seu depoimento, ela também afirmou que Trump não interveio quando manifestantes gritavam "enforquem Mike Pence", então vice-presidente dos EUA.

A Câmara dos EUA aprovou o impeachment de Trump em 2021 sob a acusação de incitar a multidão que atacou o Capitólio. O Senado o absolveu posteriormente.

O Departamento de Justiça no governo Joe Biden acusou Trump de crimes por tentar reverter o resultado da eleição de 2020. O então promotor especial Jack Smith encerrou o caso após a vitória de Trump na eleição presidencial de 2024. Uma diretriz do Departamento de Justiça estabelece que presidentes em exercício não podem ser submetidos a processos criminais.

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