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A crosta de Marte pode esconder sistemas magmáticos muito maiores do que a superfície sugere e ondas sísmicas revelaram uma história profunda

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A crosta de Marte pode esconder sistemas magmáticos muito maiores do que a superfície sugere e ondas sísmicas revelaram uma história profunda

Dados da InSight indicam que magma atravessou diferentes níveis da crosta marciana mesmo sem tectônica de placas semelhante à terrestre

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Marte não possui tectônica de placas como a Terra, mas isso não significa que sua crosta tenha sido geologicamente simples. Dados sísmicos da missão InSight indicam que o planeta pode ter sustentado sistemas magmáticos atravessando grande parte da crosta, com fusão, diferenciação e transporte de magma entre diferentes profundidades. A descoberta ajuda a explicar como um planeta de “tampa estagnada” conseguiu produzir uma crosta muito mais complexa do que sua superfície atual sugere.

O sismômetro SEIS da InSight registrou mais de 1.300 eventos durante a missão. Como as ondas mudam de velocidade e direção ao atravessar materiais diferentes, os pesquisadores puderam reconstruir camadas que não são diretamente visíveis sob o local de pouso.

Os dados indicam uma descontinuidade importante a aproximadamente 20 a 24 quilômetros de profundidade e o limite entre crosta e manto por volta de 38 quilômetros. Um estudo publicado em 2026 interpretou a região inferior da crosta como uma camada ultramáfica, diferente das rochas mais ricas em silicatos encontradas acima.

Os modelos indicam que a camada inferior, com aproximadamente 14 quilômetros de espessura, pode representar material residual deixado após a extração de magma. Para formar essa estrutura, temperaturas normais de uma crosta fria não seriam suficientes: seria necessário calor adicional vindo de baixo.

A explicação proposta envolve ascensão de material quente do manto e intrusões magmáticas. Magma gerado em profundidade poderia subir, acumular-se em diferentes níveis, fundir parcialmente rochas existentes e mudar de composição antes de alcançar regiões superiores.

Este vídeo da NASA/JPL apresenta os sinais sísmicos detectados pela InSight e mostra como o sismômetro estudou o interior marciano.

Na Terra, grande parte da reciclagem e diferenciação da crosta está relacionada à tectônica de placas. Material desce em zonas de subducção, o manto circula vigorosamente e novos magmas ascendem, modificando continuamente a crosta.

Marte funciona de outra maneira. Sua litosfera forma uma tampa relativamente rígida, sem placas que sejam continuamente criadas e destruídas. Mesmo assim, os novos modelos indicam que processos de fusão, armazenamento, assimilação e diferenciação de magma puderam conectar níveis profundos e rasos da crosta.

Não. O termo precisa ser usado com cuidado. Os pesquisadores não encontraram evidência de reciclagem global comparável à subducção terrestre. Na verdade, justamente a ausência de tectônica de placas permitiu que estruturas muito antigas permanecessem preservadas em Marte.

O estudo publicado na Nature Astronomy propõe sistemas magmáticos transcrustais, nos quais magma e calor transferiram material e promoveram diferenciação dentro da própria crosta. Trata-se de processamento vertical e interno, não do ciclo tectônico global observado na Terra.

A interpretação combina velocidades das ondas P e S medidas pela InSight com modelos mineralógicos e cálculos de equilíbrio de fases.

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