O “paradoxo” da Bolsa: por que e quais ações estão mais baratas mesmo após disparada?
A ideia parece contraditória à primeira vista: ações que subiram forte na última semana por conta do rali eleitoral podem mesmo estar mais baratas? Essa é a tese defendida por analistas de mercado como os do Bradesco BBI e do BTG Pactual que, em relatórios divulgados após o primeiro turno das eleições, destacam que a queda dos juros alterou de forma relevante a capacidade de geração de lucro das empresas e, em muitos casos, mais do que compensou a valorização recente das ações.
O BBI afirma que diversas empresas brasileiras hoje negociam com múltiplos menores do que antes do rali eleitoral porque o mercado passou a incorporar lucros futuros maiores em um cenário de Selic mais baixa.
Já o BTG conclui que uma parte relevante das companhias domésticas ainda não precifica integralmente um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário.
A explicação para isso é que o lucro está crescendo mais rápido que o preço.
Conforme destacam os analistas, uma ação não fica mais cara apenas porque seu preço sobe – o que acaba importando mais é a relação entre o preço e os lucros futuros.
Segundo o Bradesco BBI, muitas companhias apresentam hoje um preço/lucro (P/L) inferior ao observado antes da eleição porque os analistas revisaram para cima as estimativas de resultados após a queda da curva de juros.
Leia também Assaí: BofA vê espaço para maiores altas com mais cortes de juros e eleva preço-alvo Para o banco, os resultados eleitorais favorecem implementação de reformas e impulsiona novo preço para as ações da companhia O banco calcula que a queda de aproximadamente 140 pontos-base dos juros reais de longo prazo desde julho elevou em cerca de 15% o valor justo estimado para as ações brasileiras.
Além disso, a redução do risco fiscal percebido após as eleições ampliou ainda mais o potencial de valorização.
Para o BBI, a Bolsa brasileira passou a contar com três motores simultâneos: valor justo mais alto; menor risco fiscal e futuras revisões positivas de lucro.
Já o BTG Pactual ressalta ainda que os juros podem cair mais do que o mercado espera.
Atualmente, o mercado trabalha com Selic próxima de 12% ao final de 2027.
O BTG, porém, avalia que um cenário fiscal mais benigno poderia levar a taxa para algo entre 10% e 11%, uma redução de até 375 pontos-base em relação aos níveis atuais.
Os analistas da instituição apontam que juros menores tendem a beneficiar especialmente empresas com elevado endividamento; grande parcela da dívida indexada ao CDI/Selic e margens mais sensíveis ao custo financeiro.
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