Dólar vai a R$ 5,22 e bolsa cai com fuga de capital e ação de reciprocidade
O dólar acelerou a tendência de alta nesta sexta-feira, chegando a ser negociado R$ 5,25 na máxima. Foi o quinto dia seguido de variação positiva ante o real, puxado pela saída de recursos estrangeiros da Bolsa. Investidores reagem hoje a novo capítulo na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, com a abertura do processo de reciprocidade por parte do governo brasileiro contra sobretaxas do governo americano. Na temporada de balanços, Braskem e Ânima estão entre os destaques hoje.
Dólar fecha o dia valendo R$ 5,219, alta de 0,52%. A moeda dos Estados Unidos chegou a ser cotada no comercial para a venda a R$ 5,248 às 13h10h, alta de 1,04% ante o fechamento de ontem. A última vez que a divisa fechou acima de R$ 5,25 foi em 24 de março.
Moeda americana vem de quatro sessões seguidas de alta ante real . Nesta semana, a divisa saltou de R$ 5,08 para R$ 5,19, maior patamar desde 1º de julho. Segundo profissionais do setor financeiro, possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos neste semestre e dúvidas com a trajetória da dívida pública brasileira a partir do ano que vem, após as eleições são dois fatores que alimentam esse movimento.
Mercado reage à escalada da disputa comercial entre Estados Unidos e Brasil. Ontem, o governo federal iniciou o processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) começou a analisar o enquadramento das medidas americanas, enquanto o Itamaraty vai notificar oficialmente o governo dos EUA e abrir consultas diplomáticas.
Para a Bolsa, o efeito no curto prazo é de prêmio de risco adicional num momento em que o índice já vinha fragilizado. O investidor passa a precificar dois cenários. No benigno, que é o nosso, a abertura formal do processo acelera negociação e vira gatilho de alívio, beneficiando justamente os setores mais expostos ao mercado americano. No adverso, uma escalada com contramedidas efetivas e resposta de Washington pressiona exportadoras com receita relevante nos EUA e encarece cadeias que dependem de insumos americanos. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital
Investidores monitoram impactos nas empresas de setores mais afetados pela disputa. Relatório da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) mostra que a queda de 12% das exportações brasileiras aos Estados Unidos neste ano foi puxada justamente pelos produtos mais afetados pelas sobretaxas, enquanto o déficit comercial brasileiro com os americanos avançou para US$ 2,3 bilhões.
Como os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, uma escalada das tensões pode prejudicar as exportações brasileiras, reduzindo a entrada de dólares via comércio exterior. Além disso, o ambiente de maior incerteza tende a elevar a percepção de risco sobre os ativos nacionais, fator que normalmente exerce pressão negativa sobre o real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Ibovespa tem mais um pregão de queda após oito pregões seguidos de perdas. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuava 1,19% às 15h, marcando 165.307 pontos.
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