Pesquisadores transformam grãos de feijão em ingrediente proteico
Desenvolvida com apoio da Fapesp, a inovação pode ser uma alternativa às proteínas de soja ou de ervilha
O feijão carioca, tipo mais consumido no Brasil, está prestes a chegar à mesa dos consumidores de uma forma inédita: como ingrediente de alimentos industrializados. Isso será possível graças a uma proteína concentrada desenvolvida a partir da “ bandinha ” –os grãos quebrados e desvalorizados que sobram durante o processo de beneficiamento da leguminosa.
A inovação é fruto do trabalho de pesquisadores da PBIS (Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis), sediada no Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), em Campinas (SP). De acordo com a equipe, além de agregar valor a um subproduto agrícola, o novo ingrediente ajudará a reduzir a dependência da indústria alimentícia nacional de proteínas vegetais de soja ou ervilha, que hoje são, em grande parte, importadas.
“Nosso objetivo foi obter uma proteína de uma fonte vegetal brasileira. Como o Brasil é um grande produtor de feijão carioca, pensamos em transformá-lo em um ingrediente proteico para ser usado pela indústria alimentícia ”, declarou Mitie Sonia Sadahira , pesquisadora do Ital e coordenadora do projeto, durante um encontro realizado em Campinas no dia 13 de agosto, com o objetivo de apresentar os resultados da PBIS.
Criada em 2021 com o apoio da Fapesp, por meio do programa CCDs (Centros de Ciência para o Desenvolvimento), a plataforma reúne o Ital, a USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), além de 9 empresas do setor de alimentos e a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, com o objetivo de desenvolver ingredientes saudáveis, sustentáveis e inovadores a partir de matérias-primas nacionais, como o feijão.
O Brasil é o 2º maior produtor mundial da leguminosa, sendo que a variedade carioca representa cerca de 54% de uma produção anual de 3 milhões de toneladas. No entanto, o beneficiamento do grão gera, inevitavelmente, entre 1% e 5% de grãos partidos (as “ bandinhas ”), que acabam perdendo valor comercial.
“ Tivemos a ideia de agregar valor a esse coproduto ”, disse Isabela Emiliorelli , pesquisadora do Ital e participante do projeto.
Para obter a proteína, os pesquisadores adotaram o fracionamento a seco. Diferentemente dos métodos químicos tradicionais, esse processo é considerado mais ecológico por não utilizar solventes e consumir menos água e energia do que os métodos convencionais de extração úmida.
O grão de feijão é moído e transformado em farinha integral e, por separação mecânica, é dividido em duas frações: uma amilácea (rica em amido) e outra proteica. “ Além de ser uma tecnologia mais sustentável, a partir de um único processo é possível obter 2 tipos de ingredientes ”, explicou Emiliorelli.
A fração proteica obtida atingiu uma concentração de 40% a 50% de proteína. Mas o grande trunfo revelado pelas análises laboratoriais foi a qualidade nutricional do insumo, de acorcom com as pesquisadoras.
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