Torres de arenito em forma de colmeia ficaram listradas de preto e laranja porque erosão e microrganismos trabalharam juntos durante 20 milhões de anos
Formações no Parque Nacional Purnululu na Austrália Ocidental combinam ação da água, vento e cianobactérias ao longo de milênios.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No Parque Nacional Purnululu, as torres dos Bungle Bungle destacam-se por cones de arenito esculpidos ao longo de eras geológicas. Essa paisagem singular no oeste australiano preserva a fascinante combinação entre a erosão do vento e a atividade biológica de microrganismos.
As estruturas em forma de colmeia surgiram do acúmulo de sedimentos de quartzo há cerca de 370 milhões de anos . Com o passar do tempo, rios antigos depositaram esses materiais, criando camadas espessas de arenito que posteriormente sofreram fraturamento e soerguimento tectônico na Austrália Ocidental .
O processo acelerou durante os últimos 20 milhões de anos , quando a água das chuvas e os ventos fortes começaram a desgastar o terreno. A ação da água penetrou nas fendas superficiais, alargando os canais e isolando gradualmente as torres que chegam a 250 metros de altura.
A alternância de cores nas rochas resulta da composição mineral e da presença de organismos vivos. As faixas escuras são formadas por colônias de cianobactérias , microrganismos fotossintetizantes que se desenvolvem nas camadas de arenito onde a umidade consegue se acumular com mais facilidade.
Por outro lado, as faixas de tom alaranjado indicam áreas com menor retenção de água, onde o ferro presente na rocha sofre oxidação natural. A exposição contínua ao oxigênio e ao clima seco gera camadas de óxido de ferro , criando o contraste visual característico dessa formação geológica.
A seguir, os principais fatores que explicam a diferenciação das cores nas rochas:
Além de fornecerem a pigmentação escura, as cianobactérias desempenham uma função de proteção mecânica nas superfícies rochosas. Ao formarem uma crosta biológica sobre o arenito frágil, esses microrganismos ajudam a impermeabilizar parcialmente a rocha, reduzindo a penetração direta da água da chuva.
Essa proteção natural desacelera a taxa de desagregação do arenito, permitindo que os cones mantenham suas formas verticais por milênios. A integridade desse ecossistema e sua relevância geológica são reconhecidas internacionalmente pela UNESCO como um patrimônio de valor universal.
O clima semiárido da região impõe variações extremas de temperatura que causam a expansão e contração do arenito. Durante as estações chuvosas, tempestades intensas desgastam as áreas desprovidas de cobertura biológica, enquanto o período de seca acentua a oxidação dos minerais superficiais.
A visitação controlada e a preservação do Parque Nacional Purnululu garantem que o frágil equilíbrio ecológico não seja perturbado. O monitoramento contínuo evita o pisoteio das crostas biológicas e protege essas formações milenares contra danos provocados pela atividade humana direta na Austrália .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.