Da floresta à periferia: por que indígenas ainda enfrentam barreiras para acessar a saúde?
Para o indígena, o território faz parte do seu próprio corpo.
E quando o território está ameaçado, a sua saúde também padece .
Enquanto alguns deles moram dentro das cidades, outros estão em florestas na fronteira.
Há aqueles que constroem suas aldeias em lugares próximos a cabeceiras de rios, e existem ainda os que se inserem em regiões de barreiras ecológicas, como as áreas onde a Amazônia transiciona para o Cerrado.
Levar o atendimento em saúde a cada um desses territórios exige conhecimento e, é claro, infraestrutura.
Mas nem sempre é fácil ultrapassar os empecilhos que a natureza impõe e as distinções culturais entre os pacientes e as equipes médicas.
Como é o trajeto até uma aldeia indígena? A princípio, as equipes de saúde indígena vão até os Pólos Base e Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSIs) , postos de atendimento que coordenam o trabalho desses profissionais.
Essa primeira etapa pode exigir uma combinação de diferentes meios de transporte, como carro, barco e avião, em viagens que chegam a durar até 15 dias.
Médica Carla Rodrigues e colegas.
Créditos: Acervo pessoal “ Os profissionais realizam, então, visitas domiciliares às aldeias que integram a macroárea do polo .
Nas comunidades mais próximas, o acesso é feito a pé, em idas e vindas diárias.
Já para as aldeias mais isoladas, a equipe se desloca a pé, mas permanece na comunidade durante alguns dias para prestar os atendimentos e depois retorna ao Polo Base”, explica Carla Rodrigues, médica de família e comunidade da saúde indigena.
Os obstáculos vão desde adversidades do próprio território , como subidas íngremes, travessias de rios sem ponte e risco de contato com animais peçonhentos, até ameaças à segurança devido à presença de invasores, como garimpeiros e madeireiros ilegais.
Com que frequência as visitas acontecem? Em tese, as visitas devem acontecer ao menos uma vez por mês , acompanhando o calendário de consultas de pré-natal e puericultura preconizado pelo Ministério da Saúde.
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