Davi destrava MP das blusinhas, mas Lula ainda não tem acordo para enterrar taxa
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu construir com as lideranças partidárias um pré-acordo para destravar a tramitação da medida provisória que permitiu ao governo zerar a chamada taxa das blusinhas.
O entendimento, no entanto, termina aí.
O Radar Econômico apurou que ainda não há qualquer acordo sobre o texto que será votado nem compromisso das bancadas para aprová-lo.
O nome que conduzirá a matéria também continua em negociação e deve sair do MDB.
A segunda reunião da comissão mista está marcada para 1º de setembro e a MP perde a validade no dia 8.
A diferença entre concordar em tramitar e concordar em votar tornou-se o centro de uma disputa que se intensificou nas últimas semanas.
Deputados e senadores têm recebido abordagens quase diárias de representantes da indústria e do varejo, de um lado, e de emissários do governo, de outro.
Os primeiros trabalham para preservar a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — ou, ao menos, incluir proteções e compensações para empresas brasileiras.
O Planalto busca impedir que a MP caduque e a taxa volte automaticamente poucas semanas antes do primeiro turno.
“O acordo para votação é outro acordo.
Este não existe ainda”, resumiu reservadamente ao Radar Econômico um senador que acompanha as negociações.
A reaproximação recente entre Lula e Alcolumbre passou a ser uma peça importante dessa corrida.
Os dois se encontraram três vezes em dez dias, depois de meses de uma relação desgastada, e o presidente do Senado já destravou outras pautas de interesse do Planalto, como o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança e o projeto dos minerais críticos.
Na MP das blusinhas, Davi trabalha agora para superar a indefinição sobre o comando da comissão e dar condições para que o texto chegue ao esforço concentrado do Congresso.
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