Como a Polícia Federal pode agir para complicar a vida de políticos, segundo um ministro do STF
Reza o consenso político que quem controla o andamento de investigações sensíveis ou a divulgação de achados policiais pode, com uma canetada, alavancar ou simplesmente fulminar candidaturas nas eleições de outubro.
Por isso é também consenso que as principais disputas do país dificilmente passarão ilesas pelo arco de influência e atuação da Polícia Federal , responsável por apurações rumorosas que há meses amedrontam Brasília.
Para além da conquista de votos em palanques tradicionais, em tese basta um vazamento seletivo ou diligência de última hora para que o estrago esteja feito.
Mas não é só.
Sob condição de anonimato, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) elencou a VEJA como a PF pode, se for do interesse dela, criar sérias dificuldades para os políticos.
Embora seja historicamente marcada por rivalidades internas, a corporação só pode levar adiante operações de busca de documentos ou prisões preventivas contra autoridades com foro privilegiado, por exemplo, se houver ordem expressa do STF .
Mas existem alguns caminhos alternativos.
“Se ela tiver um animus específico, pode se empenhar mais em uma apuração, buscar mais elementos, direcionar mais agentes”, diz um magistrado do Supremo que acompanha um fenômeno que pode ser resumido como a policialização das eleições.
É possível, por exemplo, abrir diferentes frentes de investigação e direcionar pedidos de diligências e quebras de sigilo a um só inquérito, principalmente se um juiz específico tiver, digamos, boa vontade com a causa.
Sob a batuta de dois juízes, é como se uma investigação matasse a outra por inanição.
Cobrada pelo ministro do STF André Mendonça, recentemente a Polícia Federal informou ao magistrado, por exemplo, que não tinha pessoal suficiente para levar adiante as apurações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, suspeito de tráfico de influência.
Em outra frente, o ministro reclamou a colegas de três tentativas da PF para tirá-lo do caso relacionado ao filho mais velho do presidente.
Parte da estratégia funcionou e uma das apurações sobre Lulinha está sob a relatoria de Dino, ex-ministro da Justiça e antigo superior hierárquico do chefe da PF.
Continua após a publicidade Reportagem de capa da edição de VEJA que chega às bancas e plataformas digitais mostra que a Polícia Federal é tratada por candidatos de diferentes espectros políticos como uma fonte de preocupação nas campanhas .
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