Celso Amorim: vitória de Lula é 'derrota para estratégia de defesa dos EUA'
O resultado do segundo turno das eleições presidenciais foi, na avaliação do embaixador Celso Amorim, "uma derrota para a estratégia de defesa dos Estados Unidos na América Latina, baseada no Escudo das Américas".
Em conversa com a coluna, Amorim disse ter ficado gratamente surpreso com a diferença conseguida pelo presidente Lula (PT) na disputa com Flávio Bolsonaro (PL). Para Amorim, foi "uma grande vitória, ainda maior pela circunstância". "O povo brasileiro se levantou."
O embaixador, que já foi ministro das Relações Exteriores e da Defesa em governos do presidente Lula, comandou a assessoria internacional do terceiro governo do petista e, segundo fontes em Brasília, poderá permanecer no quarto mandato do presidente.
Amorim e toda a diplomacia que comanda no Itamaraty consideram inviável a incorporação do Brasil ao Escudo das Américas, aliança lançada por Trump em março deste ano, sobretudo em matéria de segurança.
Em setembro passado, o presidente Trump se reuniu com seus aliados do Escudo das Américas em Nova York, em paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, e conseguiu que 14 países latino-americanos assinassem uma declaração que, entre outras iniciativas, cataloga grupos criminosos como o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.
A jogada de Trump caiu muito mal no Palácio do Planalto, que mantém uma posição crítica em relação ao Escudo das Américas e às ações de militares americanos na região — algo que vem acontecendo em países como o Equador. O governo Lula entende, segundo fontes, que governos como o do Equador não têm recursos para combater sozinhos o crime organizado. O Brasil tem. Mas a lista de grupos criminosos catalogados como terroristas foi recebida em Brasília como uma tentativa de acuar o governo Lula na região.
Por isso, a fala de Amorim após a vitória de Lula. O assessor do presidente considera que o triunfo de Lula é uma derrota para Trump e para sua estratégia de ampliar a influência dos Estados Unidos na região em matéria de defesa e combate ao crime organizado.
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