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Caco Ciocler sobre masculinidade tóxica em ‘Overman’: “Estamos em processo de aprendizagem”

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Caco Ciocler sobre masculinidade tóxica em ‘Overman’: “Estamos em processo de aprendizagem”

Em cartaz nos cinemas de todo o país, Overman , título brasileiro protagonizado por Caco Ciocler e inspirado nas tirinhas da Laerte, acompanha um super-herói em decadência, com problemas menos extraordinários do que seus poderes: desemprego, dívidas e inseguranças.

A rotina começa a mudar quando ele assume um cargo na Secretaria de Segurança Pública fluminense ao lado da heroína Pâmela, a Mulher-Cachorro (Karina Ramil).

Entre o prestígio repentino, o ego inflado e as próprias contradições, Overman se envolve em confusões que o impedem de perceber a aproximação de uma ameaça à cidade.

Em entrevista a VEJA, Tomás Portella , diretor do longa, explica que o filme preserva o humor satírico, ácido e político característico das tirinhas.

“A própria história da Laerte levou a gente a pensar o quanto esse filme também é uma metáfora ao homem brasileiro, a masculinidade tóxica e as contradições que estão na gente.”, disse.

Essa reflexão também aparece na interpretação de Ciocler, que relaciona o protagonista ao machismo e à dificuldade de reconhecer os próprios comportamentos.

Para o ator, entender essas questões é apenas o começo de um processo contínuo de transformação, inclusive para si próprio.

Continua após a publicidade “Então, eu sempre acho que: ‘Ah, não, agora entendi, eu não sou mais machista.’ Mas é ataque todo dia, estamos em processo de aprendizagem.

E o engraçado é que ele também está nesse processo, sabe? Ele começa a levar umas pancadas.

Tem aquela cena em que ele fala: ‘Mas não seria “mulher-cadela” ou “mulher-cachorro” ofensivo?’ Ele tá nessa evolução também.” A polarização política brasileira também é alvo da sátira de Overman , que provoca os dois lados do espectro ideológico.

“Eu acho engraçado como a esquerda se identifica com o comunista — porque ninguém é comunista, a gente tá lutando por um governo de esquerda num universo capitalista — e como que a direita se identifica com o Capitalista Imundo.

Quem se sentir agredido pelo Capitalista Imundo é porque realmente está se posicionando num lugar meio extremo”, comenta Portella.

Continua após a publicidade Para o diretor, levar essa provocação às telas também exige coragem, sobretudo em um momento em que o próprio espaço para a crítica pode parecer escasso.“O mínimo que a gente poderia fazer pra tentar estar à altura da missão que a gente recebeu [de adaptar a obra de Laerte] é tentar ser corajoso também [como a cartunista], tanto na hora de fazer quanto na hora de lançar.

Então estamos lançando num momento que exige algum nível de coragem também para seguir adiante.”, afirma.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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